Aniversário do espaço cultivado por Mário Pazcheco será festejado neste sábado (07.03), a partir das 15h, com muita música e confraternização
Por João Orozimbo Negrão
Qual é a sensação de manter do próprio bolso um espaço totalmente dedicado ao rock por quase quatro décadas e meia? O dono desta ousadia, um certo Mario Pazcheco, exclamaria sem pestanejar: “Sensacional!”. Sem dúvida nenhuma, é sensacional o desprendimento, a ousadia e a paixão dele por aquele espaço que cultiva ali num cantinho da Colônia Agrícola Bernardo Sayão, aos fundos da 40 do Guara 2.
Um espaço dedicado à música, à boa, de qualidade e rebelde música nacional e mundial, transitando da MPB ao blues, da bossa nova ao jazz e do rock nacional ao rock de muitos cantos do mundo. Ali você vai encontrar o rock de Brasília e nacional, e todos os seus movimentos por décadas. Não faltará os clássicos ingleses (o melhor de todos, na minha opinião), estadunidenses, australianos, alemães e até nossos hermanos. Sim, ali tem rock argentino dos bons.
Do Próprio Bol$o não é apenas um museu musical. É um lugar de convergências, de encontros, de paz e amor – um ambiente em que os amantes da boa música e, especialmente, do rock se sentem em casa, recebendo o abraço maroto, irreverente e acolhedor de Mario Pazcheco.
Por estas e muitas outras razões é que cada ano, cada década e, quiçá, cada século, Do Próprio Bol$o deve ser comemorado. A festa dos 44 anos está marcada para este sábado, 7 de março, lá mesmo na sua sede.
Do Próprio Bol$o & Amigos – 44 anos sem baixar a cabeça

A festa terá início às 15h. “Do Próprio Bol$o abre as portas para celebrar 44 anos de resistência cultural, ruído elétrico e independência radical. Desde 1982, o coletivo mantém acesa a chama do rock feito na marra — sem verniz corporativo, sem manual de instruções, sem baixar a cabeça”, pronuncia Mário Pazcheco, no convite que disparou para todas e todos.
“Em tempos de métricas, algoritmos e aparelhagens reluzentes, o Do Próprio Bol$o reafirma sua vocação original: música como laboratório, território de experimentação e fluxo livre. Aqui, o palco não é vitrine — é trincheira”, estabelece.
Confira as atrações confirmadas: A.R.D, Sala de Gritos, Dino Black, Os Candangos, ABMLDC – Tributo a Júpiter Maçã.
“Um painel sonoro que atravessa continentes e atmosferas: da pulsação afro-rock de Dino Black à insurgência política de A.R.D e Sala de Gritos; da identidade candanga de Os Candangos à viagem lisérgica e sentimental em homenagem a Júpiter Maçã”, descreve.
“Quarenta e quatro anos depois, seguimos como o Espantalho de O Maravilhoso Mágico de Oz: talvez sem o cérebro legitimado pelos carimbos oficiais, mas com coração elétrico e coragem amplificada. No lugar de diplomas emoldurados, preferimos cabos, pedais antigos e a convicção de que a música ainda pode ser território livre”, ensina Maario Pazcheco.
Alguns recados finais
Parra finalizar, Mário deixa alguns recados:
– nada de couvert obrigatório
– nada de engravatamento cultural
– cada um traz sua bebida
– cada um traz sua presença
– cada um traz sua energia.
– cada um traz seu repelente
– seja educado, chegue no horário
– e não apareça de mãos vazias.
