Novo centro cultural e editais da PNAB marcam nova fase da cultura em Lucas do Rio Verde

Município une experiência em fomento, participação social e obras estruturantes para fortalecer a cadeia produtiva cultural

Da Redação

A oficina da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) que ocorreu nesta quinta-feira (12) em Lucas do Rio Verde marca mais uma etapa de organização e fortalecimento da cadeia produtiva da cultura no interior de Mato Grosso. Já realizadas em cinco cidades, as oficinas agora seguem para seu destino final, Juína, no dia 26.

A secretária municipal de Cultura e Turismo, Luciana de Souza Bauer, destaca que o município chega a este momento amparado por um trabalho de longa data na gestão cultural. “Nós conseguimos concluir 111% das metas para o trabalho da Aldir Blanc no Ciclo I. Isso é um trabalho que vem sendo construído há muitos anos aqui na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo”. Essa estrutura criada pela secretária para políticas de fomento hoje atua tanto com recursos próprios quanto com recursos de captação.

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Segundo ela, a experiência com a Aldir Blanc e a Lei Paulo Gustavo foi decisiva para a preparação de Lucas do Rio Verde para a PNAB. “A gente já vinha treinando e com um contato com a nossa cadeia produtiva cultural, que a todo momento esteve conosco participando e ajudando a deliberar sobre a destinação dos recursos e a construção de editais que atendessem a demanda do município”, explica. Esse diálogo constante, reforça, contribui não apenas para executar os recursos, mas para a construção da identidade cultural do município, dando oportunidades de fruição e de desenvolvimento cultural.

Luciana também faz questão de ressaltar a atuação conjunta entre poder público e sociedade civil na formatação das políticas culturais. “Parabenizo toda a cadeia produtiva cultural pela determinação, pelo envolvimento, a equipe técnica da secretaria, que teve um desenvolvimento extraordinário e é responsável pela execução adequada e orientação de todos esses profissionais até aqui e, sobretudo, ao Conselho Municipal de Políticas Públicas Culturais, que é o grande órgão regulador”, pontua. Para ela, o conselho é “o órgão que delibera sobre isso, que realmente valida todas essas políticas e trabalha conosco na tramitação de todo esse movimento”, o que ajuda a tornar o setor “mais eficiente, mais competente” e a garantir que “quem ganha é a população”.

Ao comentar a estrutura da Secretaria, a gestora lembra que o município vai além dos editais federais. “Hoje nós temos a Secretaria Municipal de Cultura organizada em vários setores de desenvolvimento”, explica. Ela cita o setor administrativo, responsável por recursos humanos, finanças, convênios, emendas e pela manutenção dos pontos de cultura, além da área de formação, que há mais de 25 anos oferece formação continuada em artes a crianças, adolescentes e jovens. “Nós temos 21 oficinas operando hoje no município de Lucas do Rio Verde, em vários pontos do município. O mais forte é a nossa Secretaria Municipal de Cultura, que é quase como uma escola de artes”, destaca.

No campo do patrimônio, a Secretaria cuida da Biblioteca Pública Municipal, dos bens tombados e do Museu Histórico. Já o setor de fomento e economia criativa lidera projetos com recursos federais, estaduais, municipais e da iniciativa privada. “Toda essa articulação e esses setores precisam trabalhar integrados para que essas políticas públicas alcancem as pessoas”, ressalta Luciana.

Embora não tenha como função principal organizar eventos, a pasta assina ou apoia alguns dos principais movimentos culturais da cidade. “A Secretaria de Cultura não é uma secretaria de eventos, porém, existem alguns movimentos em que ela é responsável, no município de Lucas do Rio Verde”, diz. Entre eles, ela cita o Natal da Esperança, o Dia do Rock, o Arraiá da Integração, a Mostra de Dança e o Cantarte. “O Cantarte é o maior festival de canto de Lucas do Rio Verde. E hoje, depois de três anos de experiência, nós estamos levando ele para ser regional”, adianta.

A secretária também apresentou as obras estruturantes que devem redesenhar o cenário cultural do município. “Estamos em vias de entregar, historicamente, para o município e para o Estado, eu ouso dizer, uma grande obra que vem referenciar toda essa história linda da cultura de Lucas do Rio Verde e como ela vem impactando a comunidade, que é o nosso novo centro cultural”, afirma. Em fase final de construção, o equipamento vai reunir a sede da Secretaria, os espaços das oficinas culturais e um anfiteatro. “Um anfiteatro lindíssimo, pronto e preparado para que a cadeia produtiva cultural, os nossos artistas tenham um local para poder fazer a sua arte com dignidade, com respeito e, sobretudo, valorizando-os”, descreve. Ela também cita o Centro Municipal de Tradições Norte e Nordeste, que está sendo entregue agora, como outro marco na valorização das identidades locais.

Sobre o ciclo II da PNAB, Luciana demonstra confiança. “As expectativas são as melhores. Nós temos uma equipe engajada, uma cadeia produtiva cultural preocupada e responsável, sobretudo. Eu não vejo possibilidade de não dar certo”, avalia. Segundo a secretária, a metodologia aplicada para reconhecer, entender e mapear todos os setores da cultura no município é o que sustenta esse otimismo. “A nossa expectativa, sobretudo, é de um ano extraordinário para a cultura”, projeta.

Ela lembra ainda que o município já lançou, em 2026, dois editais com recursos próprios e se prepara para a etapa da PNAB. “Nós já lançamos esse ano dois editais com recursos próprios e agora a gente vem com o edital da PNAB, que vai coroar todo esse trabalho”, resume. Para Luciana, “Lucas do Rio Verde vem fazendo um movimento incrível na área da cultura e isso se dá pelo engajamento de toda a cadeia produtiva cultural”.

A oficina também aproximou o debate da gestão estadual de cultura. O Superintendente de Políticas Culturais da SECEL, Alex Henrique avalia que o encontro presencial com os agentes culturais de cada território é fundamental para democratizar o acesso às informações da PNAB. “É de suma importância ter esse contato com o proponente, de sair um pouco do digital, como foi feito em anos anteriores, em editais anteriores, de ter esse atendimento somente pelo digital”, afirma. 

Para ele, “ter o contato corpo a corpo, olhar no olho, entender a necessidade dele, quem sabe pegar na mão e desenhar com ele uma situação diferente, ter um atendimento de maneira mais personalizada, é de suma importância pra gente ampliar esse acesso”.​

Ao avaliar o ciclo I da Política Nacional Aldir Blanc em Mato Grosso, Alex lembra que a lei nasceu em um contexto emergencial e hoje se consolida como política permanente de fomento. “Veio lá em 2020, numa lei emergencial, que foi uma situação que estava todo mundo parado, todo mundo trancado em casa, o setor cultural sofreu muito. Então foi uma lei já muito importante lá atrás e agora, como Política Nacional, vem pra ampliar ainda mais o alcance do pequeno produtor”, destaca. Nesse sentido, o foco está em quem realmente vive da cultura, que faz a cultura no dia a dia, que carrega a cultura no dia a dia.​

O superintendente avalia que o estado teve um ciclo muito bem trabalhado e projeta a ampliação dos resultados no ciclo II. “Nós esperamos ampliar agora no ciclo II. Pegar, aproveitar esse recurso do ciclo II, melhorar ainda mais os nossos editais, melhorar o alcance para que tenhamos processos selecionados em todos os 142 municípios do nosso Estado”, afirma. Alex reconhece o desafio, mas reforça o compromisso da gestão, “Sei que é uma batalha muito difícil, mas a gente vai fazer o possível pra pulverizar ainda mais o recurso do nosso Estado”, afirma.​

Para Alex, as oficinas em municípios-polo são peças-chave nesta estratégia de interiorização. “É muito essencial, porque, assim, tendo a realização das oficinas nos municípios polos, proporciona que os municípios arredores compareçam, mandem representantes, seja do poder público, seja de entidade, seja o produtor pessoa física”, explica. 

A expectativa é que, ao participar da capacitação, o proponente tire dali uma nova visão, mesmo aquele que não foi selecionado, para que ele possa melhorar ainda mais a sua inscrição. Dessa forma, há a expectativa que os agentes culturais possam vir a ser selecionado nos editais futuros, agora no ciclo II ou mais pra frente no ciclo III.

A voz dos produtores culturais locais também marcou a oficina. Moradora de Lucas do Rio Verde há 19 anos, a produtora cultural e artesã Solange Ferreira Matoso definiu o encontro como um momento de aprendizado e reconhecimento. “Está sendo muito gratificante, engrandecer mais o conhecimento sobre o que é cultura, prestação de conta, isso é muito válido para nós que somos produtores culturais, está sendo muito, muito, muito massa, eu estou muito feliz de estar neste momento único que a gente tem que buscar conhecimento, já que somos produtores culturais”, relata.

Solange aproveitou para agradecer o apoio ao setor e relacionar a cultura à própria história de vida. Ela falou do projeto “Salvando Vidas”, criado após enfrentar um câncer de mama, em que produziu bonecas e realizou palestras com mulheres. “Eu fiz várias bonecas e ali eu fazia palestras com mulheres para se autoconhecer e buscar ajuda, porque esta doença tem cura. Se você procurar ajuda, se você se autoconhecer e fazer aquilo que é certo”, conta. Para a artesã, o fazer artístico foi parte fundamental do processo de cura. “Com certeza, o artesanato e a cultura me ajudaram bastante, eu digo até que me salvaram, porque cultura é vida, cultura não é só conhecimento, mas ela é vida”, conta ela.

Nordestina, Solange também agradeceu à cidade que escolheu para viver. “Sou muito grata por essa cidade que me aceitou, abriu porta para todas nós que viemos para cá”, afirma, destacando a importância da humildade nesse caminho. “As pessoas dizem que o dinheiro traz riqueza ao homem, o conhecimento traz sabedoria, mas quando a humildade nos traz uma coisa que ninguém tira, nos torna grandes mulheres e grandes homens”, reflete.

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