MT já esteve no Oscar com documentário sobre o cacique Raoni

Por 50 anos, Raoni e Jean-Pierre Dutilleux recrutaram presidentes e realeza, incluindo o Papa Francisco, com o objetivo de melhorar as vidas dos povos indígenas brasileiros por meio da proteção das terras.

Mato Grosso já esteve entre os assuntos do Oscar, mais especificamente na 51ª edição, em 1979, quando o documentário Raoni, dirigido pelo cieasta belga Jean-Pierre Dutilleux e narrado por Marlon Brando na versão norte-americana, foi indicado à premiação internacional na categoria de Melhor Documentário em Longa-Metragem.

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Na produção, feita em parceria com a Bélgica e França em 1978, foi mostrado o cotidiano dos povos indígenas da região do Parque Nacional do Xingu, em Mato Grosso. O filme acompanhou o cacique Raoni Metuktire e chamou atenção para a cultura e luta dos povos originários pela preservação dos territórios indígenas.

Por cinco décadas, Raoni e Jean-Pierre recrutaram presidentes e realeza, incluindo o Papa Francisco, com o objetivo de melhorar as vidas dos povos indígenas brasileiros por meio da proteção das terras – ameaçadas por grileiros, garimpeiros e madeireiras – em uma produção que mostrou, internacionalmente, a realidade do Xingu e ampliou o debate sobre a importância da Amazônia e seus povos.

A versão indicada ao Oscar na época foi a norte-americana, narrada por Brando. Enquanto isso, a versão brasileira ganhou vida na voz de Paulo César Pereio. 

Em 2023, a parceria entre o cacique e o cineasta ganhou uma nova versão, no filme Raoni – Uma Amizade Improvável, obra documental baseada em registros de 50 anos de amizade entre eles.

Com o reconhecimento alcançado com o documentário original, Raoni se tornou uma das maiores lideranças indígenas reconhecidas internacionalmente e percorreu o mundo dando palestras e levantando recursos para a demarcação do território. O resultado foi a conquista das terras indígenas Mekragnoti, Kayapó, Bau e Panara em 1993.

Apesar do reconhecimento alcançado, vale lembrar que o documentário foi filmado clandestinamente naquela época no Xingu, durante a ditadura militar brasileira no início de 1975.

Cineasta Jean-Pierre Dutilleux durante gravações do documentário no Xingu. - Foto: Divulgação
Cineasta Jean-Pierre Dutilleux durante gravações do documentário no Xingu. – Foto: Divulgação

Dirigido também por Luiz Carlos Saldanha, o documentário ganhou, anos mais trade, quatro prêmios no Festival de Cinema de Gramado de 1979: melhor filme, fotografia, música (para Egberto Gismonti) e montagem no festival.

Além disso, a obra foi selecionada para o Festival Cannes (1977), eleita como Melhor Documentário no Festival Internacional de Cinema de São Francisco e indicado ao Oscar.

Imagens: filme “Raoni – Uma Amizade Incomum”, que narra a relação de mais de 50 anos entre o cacique Raoni e o cineasta belga Jean-Pierre Dutilleux.
Imagens: filme “Raoni – Uma Amizade Incomum”, que narra a relação de mais de 50 anos entre o cacique Raoni e o cineasta belga Jean-Pierre Dutilleux.

Fim de uma parceria?

Em 2023, ano em que o documentário ganhou uma nova versão dessa vez em filme, a parceria entre o cacique e o cineasta foi abalada.

No Festival de Cinema de Cannes daquele ano, ambos apareceram de mãos dadas, como velhos amigos, no tapete vermelho para promover o recente filme Raoni – Uma Amizade Improvável. Mas, nos bastidores o relacionamento chegava ao fim.

O cacique Raoni e o cineasta belga Jean-Pierre Dutilleux, em Paris, na França, em maio de 2023. — Foto: Aurelien Morissard/ AP
Cacique Raoni e Jean-Pierre, em Paris, na França, em maio de 2023. — Foto: Aurelien Morissard/ AP

Raoni voltou ao Brasil em maio e rompeu relações com Jean-Pierre, após acusá-lo de não repassar os valores totais que seriam usados para financiar os projetos de demarcação territorial indígena. O cacique afirmou, em uma entrevista à Associated Press, que o cineasta estaria usando o nome dele para arrecadar o dinheiro.

Dutilleux negou qualquer irregularidade, repetindo que nunca teve acesso ao dinheiro.

Fonte: Primeira Página

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