Seminário de Rádio volta a Cuiabá após 11 anos e debate a importância da rádio em MT

Evento reúne profissionais e estudantes para discutir inovação, credibilidade e os novos caminhos do rádio em Mato Grosso

Da Redação, por Ana Luiza Queiroz

Após mais de uma década sem ser realizado, o VI Seminário Mato-grossense de Rádio voltou a movimentar o setor em Cuiabá ontem (9) e hoje, reunindo profissionais, estudantes, técnicos e comunicadores para refletir sobre os rumos do meio diante das transformações tecnológicas. Com o tema “Metamorfose – O Rádio supera os 100 anos no Brasil mais atual do que nunca”, o evento destacou a força e a reinvenção de um veículo que ainda segue muito relevante em todo o país.

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Mato Grosso possui atualmente cerca de 300 emissoras e uma audiência estimada em 3,1 milhões de ouvintes, números que reforçam a capilaridade e a importância do rádio, especialmente em regiões onde outras formas de comunicação ainda enfrentam limitações. Sua presença em comunidades isoladas, graças a facilidade de acesso, torna o meio um produto de forte penetração cultural e histórica, se tornando um dos principais canais de informação local, prestação de serviços e comunicação comunitária.

Para a participante do seminário, Laisa Stoffel, recém-formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Mato Grosso e pesquisadora de áudio, o evento representa um marco importante para a comunicação como um todo. “Participar deste evento, que é sobre rádio, sobre comunicação em áudio, faz muito sentido para mim, enquanto comunicadora e jornalista, porque esse foi o tema do meu TCC”, afirma. 

Laisa também destaca a relevância da retomada após mais de uma década.“Eu fiquei sabendo que é um evento que não acontecia há 11 anos, então voltar a ter esse tipo de iniciativa voltada para a nossa categoria é muito importante. Os palestrantes são muito conhecidos, são pessoas inteligentíssimas, as palestras estão sendo muito interessantes e está sendo muito boa a troca”, diz. Para ela, o evento também reforça o vínculo afetivo com o meio.“É muito importante para mostrar a importância do áudio e reavivar esse sentimento, esse carinho que nós sempre tivemos por esse meio de produção”, finaliza.

Entre os destaques da programação esteve também a jornalista e radialista Mara Régia, da Rádio Nacional, que abordou o papel do rádio como ferramenta cidadã. Com mais de quatro décadas de atuação, ela ressaltou a acessibilidade do meio. “Eu vejo o rádio como um sol que nos irradia, porque ele é de muita acessibilidade. Quando você quiser universalizar qualquer comunicação, você tem que se valer do rádio”, pontua.

Mara também destacou a importância da retomada do seminário no estado. “Depois de 11 anos, ver de novo o rádio tomando a cena, sendo discutido com tanta competência, é uma verdadeira oportunidade que a gente tem de refletir mais sobre o nosso santo ofício”, afirma. A radialista ainda alertou para os desafios da era digital, especialmente em relação à qualidade da informação. “Estamos numa fase de transição, saindo do analógico para o digital, mas isso não pode em momento algum comprometer o que é mais importante, que é o conteúdo. Você tem muita tecnologia, mas também tem muita bobagem no ar e fake news”, ressalta.

O deputado estadual Lúdio Cabral também ressalta a contribuição do rádio para a democracia. “É uma honra poder usar uma das nossas ferramentas, a emenda parlamentar, para contribuir com o seminário e debater esse meio de comunicação que é tão importante para a sociedade e para a democracia”, afirma.  

Já o representante do Instituto Mutirum, Jurandir Antonio, enfatizou que o seminário surge para preencher um vazio de mais de dez anos sem debates estruturados sobre o rádio no estado. “Ficou um vácuo de discussão sobre o rádio, justamente em um período em que o meio foi bombardeado por novas tecnologias”, explica. Segundo ele, o objetivo do encontro é discutir como essas mudanças podem fortalecer o setor, com o foco em entender no que essas novas tecnologias podem contribuir para melhorar a qualidade do rádio em Mato Grosso.  

Jurandir também destacou a força do rádio junto à população. “Pesquisas mostram que o rádio tem cerca de 81% de credibilidade. É o veículo de maior credibilidade, e a gente tem esse poder nas mãos”, diz. Ele ainda pontuou a capacidade de adaptação do meio ao longo dos anos, citando que hoje uma rádio de uma cidade pequena pode ser ouvida no mundo inteiro. “A internet e o celular ajudaram a ampliar esse alcance e a melhorar a comunicação com o ouvinte”, explica.

A programação incluiu oficinas práticas no primeiro dia, abordando temas como produção de texto, locução, podcasts e uso de inteligência artificial na edição de áudio. No segundo dia, palestras discutiram desde inovação e monetização até o papel das rádios comunitárias na democracia. Além dos debates, o evento ainda terá a entrega do Troféu Nhô Boró, homenagem a profissionais que contribuíram para a história da rádio em Mato Grosso, e encerramento com espetáculo musical.

O VI Seminário Mato-grossense de Rádio foi organizado pelo Mutirum Instituto, com apoio da Sedec-MT (Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso), Assembleia Legislativa, por meio de emenda do deputado Lúdio Cabral (PT), Empaer (Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural) e Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MT).

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