Ao final das oficinas, participantes podem receber certificados
Da Redação, por Ana Luiza Queiroz
Estão disponíveis, até o dia 31 de julho, no portal Amazônia Flix, uma plataforma de “streaming” de filmes e séries para difundir e internacionalizar o acesso às produções audiovisuais da região amazônica, duas oficinas de audiovisual que fizeram parte da programação da 11ª Edição do Festival Pan Amazônico de Cinema – Amazônia FiDOC 2026. As oficinas são gratuitas, e podem ser acessadas por meio do link.
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A primeira oficina é de roteiro de documentário, ministrada por Felipe Cortez, jornalista com especialização em Produção Audiovisual (Estácio / Iesam) e Mestrado em Artes (PPGARTES/UFPa). A oficina irá abordar as formas do documentário e suas éticas, recursos expressivos do documentário, um estudo de caso sobre a produção de documentários da TV Cultura do Pará e também falar da própria experiência do ministrante.
A segunda oficina disponível é de fotografia de cinema, com Cezar Moraes, cineasta e fotógrafo que estudou Direção Cinematográfica e Fotografia na Escola de Cinema Darcy Ribeiro, RJ. Nesta oficina, Cezar abordará os elementos básicos da fotografia no cinema, a preparação, planejamento e como focar na história.
Também é possível acessar no site os longas e curta metragens premiados na mostra competitiva. Para além de produções brasileiras do Pará, Mato Grosso e de Rondônia, estão produções do Equador, Peru e Venezuela. Entre eles, estão Mama (2025), produção equatoriana dirigida por Ana Cristina Benitez, que conta a história de Ana, que aos 36 anos enfrenta um diagnóstico de câncer de mama avançado e, por meio da fotografia, embarca em uma jornada de autoconhecimento, reconectando-se com sua história, sua família e suas raízes, enquanto descobre que a cura também envolve aspectos emocionais e afetivos.
Cinema indígena do Mato Grosso
Disponível no Amazônia Flix está o curta Sukande Kasáká | Terra Doente, dirigido por Kamikia Kisedje e Fred Rahal. A produção coloca como protagonista o povo Kisêdjê, povo indígena de língua Jê que habita a Terra Indígena Wawi e o Parque Indígena do Xingu. O documentário acompanha Kamikia e Lewayki Khisêtjê, diante dos impactos da contaminação ambiental em seu território ancestral. A obra retrata como a pulverização de agrotóxicos compromete a floresta, os rios e as fontes de subsistência do povo Khisêtjê, revelando os efeitos de uma ameaça muitas vezes invisível.

À medida que os indícios de contaminação se intensificam, com alterações no ecossistema e o surgimento de problemas de saúde entre crianças e idosos, a comunidade se vê obrigada a deixar Ngojhwere, sua principal aldeia, em busca de um novo local que garanta condições seguras para a continuidade de sua vida, cultura e tradições.
O curta foi premiado no Festival É Tudo Verdade 2026, realizado entre os dias 3 e 13 de abril, em São Paulo e no Rio de Janeiro, conquistando os troféus de Melhor Documentário da Competição Brasileira de Curtas-Metragens e o Prêmio Mistika de Melhor Documentário da mesma categoria.
Com o reconhecimento, a produção passa a integrar a lista de obras elegíveis para avaliação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, etapa que pode resultar em uma indicação ao Oscar. Além disso, a expectativa dos realizadores é ampliar a circulação do filme em eventos nacionais e internacionais, incluindo possíveis exibições durante a COP30, que será realizada em Belém.
Construído a partir de imagens registradas ao longo de 12 anos, o documentário oferece um olhar próximo sobre a trajetória do povo Khisêtjê e as mudanças ocorridas em seu território ao longo desse período. O material revela os impactos progressivos da contaminação ambiental e suas consequências para o modo de vida da comunidade.
