Cerca de 400 indígenas participaram de aulas realizadas ao longo de dois anos na Aldeia Mayrowi, em Mato Grosso.
Cerca de 400 indígenas da Aldeia Mayrowi, em Mato Grosso, participaram de oficinas voltadas à valorização e revitalização da língua Apiaká. As atividades foram realizadas ao longo de dois anos.
O projeto foi dividido em quatro módulos, com ensino de vocabulário, gramática e práticas de produção oral e escrita. As aulas também trabalharam o uso cotidiano da língua, com participação de crianças, jovens e adultos da comunidade.
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Além das oficinas, o programa incluiu atividades paradidáticas aplicadas na escola da aldeia. As aulas eram realizadas semanalmente, às quartas-feiras, como forma de integrar o aprendizado da língua Apiaká à rotina escolar.
Segundo a organização do projeto, a proposta foi além do conteúdo linguístico e incluiu elementos culturais, com participação direta da comunidade em diferentes etapas. A intenção é fortalecer a identidade coletiva e ampliar o uso da língua entre as novas gerações.
Monitor e morador da aldeia, Rafael Morimã destacou que algumas crianças já passaram a usar palavras em Apiaká no dia a dia. Ele citou como exemplo os termos “sawara”, para onça, e “awara”, para cachorro.

Também está prevista a produção de uma cartilha ilustrada, um caderno de exercícios e um manual pedagógico com os conteúdos trabalhados durante as oficinas. Após validação com a comunidade e instituições envolvidas, o material deve ser distribuído na aldeia para apoiar as atividades escolares e formar novos multiplicadores da língua.
A iniciativa foi desenvolvida em parceria com o Laboratório de Etnolinguística da Universidade de Brasília (UnB) e integra o Programa de Valorização da Cultura Indígena, ligado ao Plano Básico Ambiental Indígena da Usina Hidrelétrica Teles Pires.
Em 2022, a Unesco declarou a Década Internacional das Línguas Indígenas, que segue até 2032. A mobilização busca chamar atenção para o risco de desaparecimento desses idiomas e para a importância de ações de preservação da cultura ancestral.
Fonte: Primeira Página
