Dia do Cinema Brasileiro celebra 128 anos das primeiras imagens registradas no país

Data celebra o marco histórico atribuído ao italiano Afonso Segreto, que registrou imagens da Baía de Guanabara em 1898 e deu início à trajetória do cinema no Brasil

Da Redação

Você sabe por que hoje, 19 de junho, é comemorado o Dia do Cinema Brasileiro? Há 128 anos, em 1898, o Brasil deu os primeiros passos na história do cinema. A bordo do navio Brésil, que chegava ao Rio de Janeiro vindo de Bordeaux, na França, vinha o italiano Afonso Segreto, que registrou imagens da entrada da Baía de Guanabara. Esse momento é considerado por muitos o marco inicial do cinema brasileiro.

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O feito transformou o dia 19 de junho na data oficial de celebração do Dia do Cinema Brasileiro, uma homenagem ao pioneirismo de Segreto e ao desenvolvimento de uma das principais manifestações culturais do país. Ao longo de mais de um século, o cinema nacional passou por diferentes fases e movimentos, construindo uma identidade própria e levando histórias brasileiras para as telas nacionais e internacionais.

Alfonso Segreto, o realizador da fita.

A trajetória de Afonso Segreto também está ligada às primeiras iniciativas de produção cinematográfica no Brasil. Ao lado do irmão, Paschoal Segreto, primeiro empresário do entreterimento e primeiro exibidor e produtor de filmes do Brasil, ele participou das primeiras experiências com imagens em movimento e ajudou a impulsionar a popularização do cinema no país. Por orientação do irmão, Afonso realizou, entre 1898 e 1901, cerca de 60 filmes.

Apesar da importância histórica atribuída ao registro de 1898, a origem do cinema brasileiro ainda é tema de debate entre pesquisadores. Alguns historiadores apontam que, em 1897, na cidade de Petrópolis (RJ), já poderiam ter sido realizados pequenos filmes utilizando equipamentos inspirados em tecnologias desenvolvidas pelo inventor norte-americano Thomas Edison.

Segundo também os estudiosos Adhemar Gonzaga e Vicente de Paula Araújo no livro “Palácios e poeiras 100 anos de cinema no Rio de janeiro”, o filme Vista da Baía de Guanabara não pode ser considerado o primeiro filme brasileiro de forma definitiva, pois não há provas de que tenha sido revelado ou sequer exibido publicamente. Por isso, é reconhecido apenas “até certo ponto” como o marco inaugural do cinema nacional

Tela Brasil

Neste ano, o setor recebeu a expansão do acesso a grandes obras da produção nacional por meio do streaming gratuito Tela Brasil. A chegada de plataformas de streaming voltadas ao audiovisual brasileiro permite que o público reencontre clássicos e descubra novos títulos sem custo.

A plataforma pública reúne centenas de filmes, séries e documentários de diferentes períodos da história do audiovisual do país. O serviço amplia o acesso a produções que muitas vezes ficaram restritas a festivais, acervos ou circuitos especializados.

A curadoria da plataforma oferece um amplo retrato da trajetória do cinema brasileiro, reunindo obras fundamentais para compreender a evolução da produção nacional. Entre os destaques estão filmes do consagrado diretor Glauber Rocha, nome indispensável para qualquer cinéfilo, como Barravento (1962), Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) e Terra em Transe (1967). Da mesma fase, o catálogo também apresenta São Paulo, Sociedade Anônima (1965), de Luiz Sergio Person, um drama marcado pelo tom melancólico e que constrói um retrato ainda atual da vida e das transformações da metrópole paulista.

São Paulo, Sociedade Anônima (1965)

Outras plataformas voltada ao audiovisual brasileiro são o Itaú Cultural Play e o Spcine Play, ambas gratuitas. Elas contam com uma curadoria especializada, oferecem um vasto catálogo de filmes, documentários, séries e mostras de festivais de todas as regiões do país.

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