Barra do Garças, uma cidade cultural

Nesta entrevista exclusiva, o secretário de Cultura Alessandro Matos destaca as realizações e os projetos culturais em Barra do Garças

Por Lucas Iglesias

Nesta entrevista exclusiva, Alessandro Matos, secretário de Cultura de Barra do Garças, reflete sobre os desafios e conquistas de sua gestão à frente da pasta. Em meio a um cenário desafiador, marcado pela pandemia, Matos destaca o comprometimento da equipe em enfrentar as adversidades e promover iniciativas culturais que beneficiaram mais de 80 projetos locais.

O secretário ressalta o papel ativo do Centro Cultural Valdon Varjão, que se tornou um hub cultural, recebendo ensaios de grupos diversos e proporcionando capacitação profissional mesmo durante o período de restrições. O engajamento com a comunidade, a revitalização do patrimônio histórico e a parceria com diversos eventos culturais são elementos destacados por Matos.

A entrevista também aborda a importância dos editais culturais, como o da Lei Paulo Gustavo, aberto para inscrições até janeiro de 2024. Matos enfatiza o compromisso da secretaria em valorizar financeiramente os artistas locais, reconhecendo a contribuição da cultura para a economia da cidade.

Ao abordar o ano de 2023, Alessandro Matos destaca o intenso trabalho realizado, incluindo eventos marcantes como o Luau da Soninha, o Prêmio Pioneirismo Negro, e o Festival Primavera Cultural. O secretário ressalta o papel do prefeito Dr. Adilson em entender a cultura como um elemento fundamental para o desenvolvimento local.

O bate-papo ainda traz reflexões sobre a importância de homenagear figuras icônicas da cidade, como Valdon Varjão, e detalha a realização e impacto do Festival Primavera Cultural, que encerrou a temporada de eventos em 2023.

Com uma visão positiva para o futuro, Alessandro Matos antecipa os planos para 2024, destacando a continuidade de iniciativas bem-sucedidas, novos editais, projetos de revitalização e a expansão da oferta cultural para os bairros da cidade.

Qual o balanço que você faz da sua gestão a frente da Cultura?

Alessandro Matos: Começamos em um momento difícil da história, não diria só de Barra do Garças, mas do mundo todo. Afinal, 2021, ainda estávamos em pandemia, com todos os cuidados e com medo. Só que ainda assim encaramos de frente, seguimos com o edital da Lei Aldir Blanc, que aqui recebeu o nome de Mauro Alex, que beneficiou mais de 80 projetos em diferentes segmentos daqui, com lives, minidocumentários e outras obras do audiovisual. Ainda nesse momento, sem poder abrir para o público, sem abraçar as pessoas, tivemos parceria com a Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer, para levar lives com capacitação profissional, com explicações sobre como escrever projetos para concorrer em outros editais que foram lançados ao longo do ano. Quando a pandemia acalmou e tivemos a oportunidade de poder abrir o Centro Cultural Valdon Varjão, que é onde fica a secretaria e onde temos um espaço público para eventos, logo recebemos a demanda de vários grupos para ensaiarem no espaço e assim formamos uma rotina que seguimos até hoje, onde praticamente todos os dias, algum grupo de algum estilo diferente, ensaia lá ou dá algum curso. Além de abrirmos o espaço para a realização de grandes eventos. Eu diria que o uso do Centro Cultural de domingo a domingo é uma das marcas da gestão. Abraçamos os artistas locais e facilitamos para que mais espetáculos fossem produzidos em Barra do Garças. Conseguimos a aprovação no edital Afluentes, onde já começamos o trabalho de revitalização do telégrafo do distrito da Voadeira, monumento histórico do estado, que servirá como mais uma opção cultural e turística aqui na cidade. E tudo isso movimenta a Economia local, gira e fortalece o município. Oportunizar que a classe cultural tenha acesso aos editais, divulgar, oferecer suporte para que as ideias sejam elaboradas, transforma. Sem contar que fomos parceiros de inúmeros eventos até aqui. O nosso prefeito, Doutor Adilson, deu autonomia para fortalecermos esse segmento e fazemos o máximo todos os dias para que cada artista e produtor cultural tenha sua demanda atendida. A preocupação do prefeito em atender aos diferentes setores da Cultura faz toda a diferença para conseguirmos chegar a mais e mais pessoas. Então, quando o gestor tem essa preocupação, é um grande passo para conseguirmos fazer grandes ações.

Barra do Garças está com inscrições abertas para os editais da Lei Paulo Gustavo até janeiro, qual a importância dela?

Alessandro Matos: As inscrições estão abertas, na nossa página no Instagram (@secretariaculturabg) tem o link e todas as informações sobre como se inscrever. Esse edital reforça o compromisso com a Cultura. Devido ao pedido dos artistas e produtores, nós decidimos pelo adiamento até o dia 12 de janeiro. Então há tempo hábil para a pessoa se inscrever. Uma comissão de notáveis vão avaliar. Estes avaliadores são selecionados pela UFMT, IFMT e uma faculdade particular, que irão analisar as propostas para os documentários e para o Festival Barra Encanta II. Enriquecer a produção do audiovisual é um dos objetivos desse edital. Documentar a história e o cotidiano de nossa cidade. Os registros com produções de alta qualidade vão dar subsídios para nós que divulgamos o que é a nossa cultura. Vamos entender mais “quem somos nós”, via deles.

E como foi o ano de 2023 para a Cultura?

Alessandro: Foi mais um ano com muito trabalho. O Doutor Adilson nos deu essa missão, de reforçar esse segmento. Ele sempre afirma que entendeu o que é Cultura a partir do momento que se tornou gestor. A Cultura é ampla, no sentido de representar tudo que a cidade vai. E a Cultura vai além do que se pensava antigamente, de fazer arte só pela divulgação. Você convidada a pessoa só para ela apresentar a arte dela no “0800”. Com a gestão Dr. Adilson, nós nos preocupamos em dar visibilidade, no máximo possível de artes, mas sempre na medida do possível, todos os artistas recebem pelo trabalho. São profissionais e precisam sim ser remunerados pelas apresentações. Então abrimos editais para que eles se inscrevam e os selecionados recebam. Tivemos grandes eventos aqui na região e ajudamos ao máximo o que conseguimos. Podemos destacar o Luau da Soninha, a primeira edição do Prêmio Pioneirismo Negro, dois eventos de Cultura Pop, para esse público que cresce cada vez mais, com o Anime Anormal Festival e o Giro Geek BG Festival, lançamento de livros como “A Menininha” da professora Maria Claudino, Recital Araguaia Celebra o Dia Internacional da Música. Recebemos também a caravana do Artetude que é um grupo que produz arte circense e trouxe o espetáculo “O Circo dos Irmãos Saúde” para Barra do Garças. Tivemos ainda uma homenagem com a família da professora Elizabeth Sanchez, um dos grandes nomes das Educação de Barra do Garças. Foi realizada uma exposição das obras delas também no espaço do Centro Cultural. Outra exposição e homenagem que coordenamos, foi com as artistas plásticas Nina e Odília, artistas plásticas que foram as estrelas da Exposição Bella Cerâmica. Também fizemos um evento em homenagem ao Domingos Ferreira da Silva, conhecido como Dupé. Essas homenagens são importantes para valorizar quem produz arte em nossa cidade. Começamos com ela em 2021 mesmo e já homenageamos nomes como Marilene Arbués, Peônia Gouveia, Robledo Nery, entre outros. Enfim, foram muitas ações, gratuitas para o público, para incluir e disponibilizar diferentes opções para a população de Barra poder usufruir de atrações para vários segmentos. Sem contar que estamos encerrando o ano com uma homenagem aos 100 anos de Valdon Varjão e a primeira edição do Festival Primavera Cultural em Barra do Garças, mais uma parceria nossa com o Mutirum Instituto da Cultura. E tudo isso foi só um pouco do que foi esse ano para a Cultura.

Valdon Varjão que inclusive dá o nome ao Centro Cultural…

Alessandro: Seu Valdon é icônico. Ele é histórico em Barra do Garças. Muito representativo do que é Barra do Garças e região. Ele chegou aqui ainda na época do garimpo. Ele merece todas as homenagens porque ele é uma representação daqui. É impossível falar em Barra do Garças sem citar o nome dele. Então é muito positivo podermos relembrar a história dele e quem ele foi, até mesmo para as novas gerações entenderem mais sobre a própria história.

E o Festival Primavera Cultural? Fale um pouco sobre ele, já que ele fecha a temporada de eventos em 2023.

Alessandro: Este é um do Mutirum Instituto, em parceria com a Assembleia Legislativa de Mato Grosso, por meio do Deputado Estadual, Beto Dois a Um. Aqui vale destacar o papel atuante do Deputado para com nossa região e o fortalecimento da Cultura local. O evento também tem o apoio da Secretaria de Cultura Esporte e Lazer de Mato Grosso, a prefeitura de Barra do Garças e a secretaria de Cultura e secretaria de Educação. Este evento conta com 9 dias de apresentações. Três dias na Feira Coberta, três dias no Jardim Nova Barra e três dias no Vila Maria. Nós ajudamos a coordenar todas as ações, com mais de 30 apresentações diferentes e mais de 60 profissionais da Cultura envolvidos para levar sua artes nesses bairros. Nós vimos como foi fantástico, já na abertura, com o Sarau de Natal da Escola de Música Elite, onde tivemos um público circulante de quase mil pessoas. Depois ainda tivemos mais de 400 pessoas em um aulão de zumba, da Faby Peres. Sem contar o grande apoio e comparecimento nos bairros. Inclusive conhecemos talentos das escolas que receberam os eventos nos bairros. Eles foram gigantes nas apresentações. O festival mostrou que é uma ferramenta que incentiva novos artistas também a subirem no palco e se desenvolverem. Esperamos uma segunda edição para o próximo ano com mais bairros atendidos.

Voltando ao que você falou há pouco. Existe um trabalho de valorização financeira com os artistas, é uma preocupação da secretaria?

Alessandro: Exatamente. Quando vamos organizar um evento, sempre pensamos nessa valorização. Do artista só sair de casa se receber por isso. Claro eu queria dar muito mais para cada um, mas infelizmente temos as limitações financeiras, só que apesar disso, ao fazer um evento, sempre o artista está na planilha de custos. Fazemos editais, chamamentos para eles se inscreverem e buscamos ampliar o máximo do espaço para diferentes segmentos. Nossa cidade é muito privilegiada nisso. Temos artistas plásticos fantásticos, de nível nacional, assim como dançarinos, cantores, artistas, humoristas, enfim, vários segmentos muito bem representados e cada um deles tem que ser valorizado, sempre que se apresentar, precisam receber um cachê pelo trabalho. É o mínimo que precisa ser feito. Então, além da visibilidade, de buscar mostrar o valor do trabalho deles nas redes sociais, na mídia tradicional, eles também têm cachê em cada apresentação.

Até porque a Cultura gira a Economia da cidade também…

Alessandro: Isso mesmo. Foi essa constatação que o prefeito também teve. Ele percebeu que as pessoas vendendo os saberes culturais, esse dinheiro, aquece a Economia local. Vamos pegar o edital da Paulo Gustavo. Os artistas vão receber um cachê, tem vários valores. Vamos supor, que vão receber, 5, 10 mil. Eles vão fazer o que com o dinheiro? Não acho que vão investir na Bolsa de Valores. Eles vão consumir. Vão consumir o alimento, a roupa, o material de trabalho, a gasolina no posto. Esse dinheiro retorna para a cidade, para a sociedade. Um show que é feito no anfiteatro, por exemplo, ele gera dinheiro para o produtor, a equipe que trabalhou, os músicos, os artistas que se apresentaram, a gráfica que fez o material, o designer que fez os cards para as redes sociais e se vier artista de fora, ainda tem o hotel, sem contar os restaurantes. Então quando tem esse tipo de evento, a cidade toda sai ganhando com ele. O Deputado Beto Dois a Um mesmo já afirmou que essa cidade tem muitos talentos nas mais diversas áreas. Nossa cidade é privilegiada. Por conta de toda a miscigenação que a gente tem e a qualidade dos nossos talentos.

Como é feito o trabalho de divulgação de tudo que a secretaria produz?

Alessandro: Nós buscamos dar o máximo de publicidade para tudo. Com as mídias tradicionais, disposição para dar entrevistas em TVs, rádios, jornais impressos, mas é fundamental destacar as nossas redes sociais. Estamos no Instagram e no Facebook. A nossa equipe tem feito um trabalho fantástico. Até o início de dezembro, eram mais de 1.400 publicações. Ou seja, muito conteúdo para as pessoas ficarem informadas. Editais, notícias de eventos, capacitação. Tudo é postado lá. Além de conteúdo exclusivo que produzimos também por lá. Coberturas de eventos culturais, entrevistas com os mais variados artistas e ainda temos os programas Giro Geek BG, voltado para o segmento da Cultura Pop, que como eu disse, tem crescido cada vez mais, até porque todo mundo ou teve uma fase acompanhando filmes, séries, heróis, quadrinhos, animes, enfim… ou até hoje vivem essa fase, pessoas de todas as idades e temos esse espaço lá. E ainda o programa Atos, Fatos e Relatos BG, que dá destaque para a história e curiosidades de Barra do Garças. Nossos historiadores mostram toda semana algo interessante sobre aqui e isso é fantástico. É expor as nossas raízes, o nosso povo para os internautas. É conhecer por exemplo, quem foi a pessoa por trás do nome daquela rua no centro da cidade ou que dá nome a aquela escola. Por isso, é importante demais destacar o trabalho nas redes sociais que fortalece ainda mais o trabalho e serve como ferramenta de pesquisa e informação para a população.

E o que é esperado para 2024?

Alessandro: A primeira coisa é reproduzir o que tem sido feito desde 2021. A boa utilização dos equipamentos públicos na área de Cultura. Seja o Centro Cultural Valdon Varjão com exposição, shows. Também o anfiteatro Fernando Peres de Farias, que é um espaço excelente para a produção cultural. Logo no início do ano, já teremos os resultados dos aprovados nos editais da Lei Paulo Gustavo e aí já teremos o Festival Barra Encanta, que vai contemplar 97 artistas do município. E ainda o Barra Curtas, que vai fortalecer o nosso segmento de audiovisual, com 15 documentários. Sem contar que já estamos preparados para receber a Lei Aldir Blanc 2 em Barra do Garças, onde outras dezenas de projetos irão enriquecer nosso acervo cultural. Demos o pontapé inicial no final de 2023, ao “Caminho Intergalático”, um calçadão no bairro Solar Vile, no caminho do Parque das Águas Quentes, que vai reunir peças em tamanho real e vários ícones da Cultura Pop. Peças gigantes de personagens como Surfista Prateado, Darth Vader, Goku, Superman, entre vários outros estarão disponíveis para volta e como “companhia” de quem trafegar pelo local. As obras, feitas pelo artista plástico Jean Esteves, vai reforçar mais ainda o local de visitação e guiar as pessoas até um dos pontos turísticos mais visitados do município. Outra novidade também é o “Calçadão da Cultura”, ao lado da antiga Escola Cristino Cortês, atual Escola Militar Tiradentes, onde ocorrerão mensalmente feiras culturais, com painéis que terão obras de artistas locais para ressaltar as potencialidades diferenciadas de Barra do Garças. Lá servirá como um ponto de encontro da Cultura, com opções variadas de lazer. É uma obra muito aguardada que em breve iremos já realizar os primeiros eventos. Nós estaremos também com parceria com a secretaria de Educação para ocupar os contraturnos das escolas, com oficinas de artes, onde iremos levar várias opções para o público dos bairros. Nós temos hoje 25 entidades que estão preparadas, prontas, para captar recursos, associações de artes das mais diversas áreas, que o Instituto Mutirum capacitou. E com o fortalecimento dos equipamentos no centro da cidade, nós queremos levar arte também para os bairros. Formar crianças, dar mais opções para a melhor idade. Então nós teremos a partir de fevereiro, nas escolas de vários bairros, entre 10 a 15 oficinas, como dança, hip hop, artes plásticas, artesanato, teatro. Ofertar durante todo o ano, essa possibilidade das pessoas se capacitarem e terem uma qualidade de vida melhor. Basta dizer que temos exemplos no país e no mundo. Então desse projeto, pode sair mais talentos ainda e que eles tenham a qualificação e capacidade para poderem viver de arte, de Cultura. Nós queremos proporcionar isso.

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