Com mais de 200 peças em pintura, escultura, cerâmica e fotografia de mato-grossenses, Sebrae MT inicia celebração de seus 50 anos de fundação na mostra que segue até 11 de maio
Por João Negrão, de Brasília
O Sebrae de Mato Grosso inaugurou na noite da última terça-feira (18.03), no Museu Nacional da República, em Brasília, a Exposição “Lírica, Crítica e Solar: artes visuais em Mato Grosso”. A mostra, que reúne mais de 200 obras de 50 artistas mato-grossenses, é um momento histórico para a cultura de Mato Grosso, um marco na história das artes plásticas do Estado. E também o início da celebração dos 50 anos do Sebrae-MT.

As mais de duas centenas de peças em pintura, escultura, cerâmica e fotografia encantaram o público presente à abertura da exposição, que prosseguirá até 11 de maio. O evento foi organizado em parceria com o Sebrae Nacional, o Governo do Distrito Federal e a direção do Museu.
Na exposição são homenageadas Aline Figueiredo, Dalva de Barros, Maria Lygia de Borges Garcia e Magna Domingos (in memoriam). “São quatro personalidades femininas de grande relevância para a história da arte em Mato Grosso. Além disso, destaca a obra de Inês Correa da Costa, primeira artista mato-grossense a alcançar projeção nacional”, informou a assessoria do Sebrae MT.
“No total, 31 artistas vivos e 19 falecidos estão com suas obras exibidas, consolidando a exposição como um tributo à rica produção artística do Estado. Dessa forma, o evento busca fortalecer e dar visibilidade ao trabalho de artistas, estudiosos e incentivadores da arte, reconhecendo a contribuição deles para a cultura mato-grossense e nacional”, acrescentou a assessoria.

A abertura da exposição foi prestigiada por dezenas de pessoas, entre artistas, autoridades de Mato Grosso e do Distrito Federal, além de um bom público local. Em suas falas, os oradores destacaram o pioneirismo do Sebrae de Mato Grosso, a rica cultura mato-grossense e a diversa produção das artes visuais do Estado.
“Esta mistura cultural resulta em produtividade artística de grande expressão e isso nos enche de orgulho. Nosso desejo é que nossa arte ultrapasse as fronteiras para alcançar um lugar de destaque nos museus, nas galerias e nos corações do público e dos colecionadores brasileiros e estrangeiros”, afirmou Lélia Brun, diretora-superintendente do Sebrae MT, Lélia Brun. “Nós queremos que a nossa arte seja reconhecida e desenhada por todos, querida e desejada por todos. Queremos e trabalhamos pela valorização da nossa história, pela valorização da nossa identidade artística”, complementou.
Lélia Brun, após parabenizar todos os artistas, organizadores, curadores e participantes do evento, parabenizou o Sebrae Mato Grosso pelos seus 50 anos. “São 50 anos de vida, de uma existência fazendo diferença na vida de muitas pessoas, de muitas empresas. E estamos aqui construindo os próximos 50 anos. Dessa forma nós rendemos homenagem a todos os artistas nesta noite, agradecendo pela razão, pelo propósito e por toda essa cultura e que nos enche de orgulho pelo que vocês estão proporcionando nesta noite, fazendo história com esta exposição”, finalizou.
Divino Sobral, um dos curadores da exposição, destacou a cultura do Centro-Oeste e a importância de as unidades da Federação na região se olharem e reconhecerem. “Somos, aqui na região do Centro-Oeste, três estados e o Distrito Federal. Entretanto, a nossa própria história, ela, de certa forma, fraturou as nossas relações com a gente, e a gente não se reconhece. A gente olha muito para fora e olha para o próprio umbigo. Primeiro agradecer ao Sebrae por realizar esta exposição aqui em Brasília, no Museu Nacional, trazendo a potência da arte que nós trouxemos. Aqui tem uma produção marco-temporal de arte de 80 anos – a obra mais antiga é de 1945, e a obra mais recente é deste ano, feita exatamente para esta exposição – que conta a potência da arte e dos artistas de Mato Grosso”, pontuou Sobral.
E prosseguiu: “A produção dos artistas visuais, sejam eles eruditos ou populares, do interior ou da capital, homens ou mulheres, vivos e mortos, o pouco de como esse Estado se constituiu e como a identidade cultural dele se estruturou. Eu quero dizer a vocês que o Estado no Mato Grosso criou isso em função de uma ideia de um ateliê livre de cultura, um ateliê instaurado nos anos 70, que resultou, a partir do trabalho da artista Dalva de Barros, como professora, e da Aline Figueiredo, como orientadora e alimentadora, da alma dos artista que surgem, e também do trabalho de Humberto Espíndola. O trabalho delas permitiu florescer um caminho de uma arte que é comprometida com a sua gente, de uma arte comprometida com a sua terra. E é essa história que a gente conta aqui com essas obras dos artistas mato-grossenses”.
Em nome das homenageadas, Aline Figueiredo lembrou que o movimento que fez florescer as artes plásticas de Mato Grosso não começou exatamente em 1976, com o Ateliê Livre da Universidade Federal de Mato Grosso. “Começou lá atrás, na década de 60. Lá, quando já se conversava sobre artes plásticas em mesa de bar. Lá já eram latentes essa arte, a opulência e a liberdade, a sensibilidade, a alegria e a curiosidade: aparecem nas conversas de bar, a pintura em Cuiabá chega a ser um assunto de barco. Uma cidade muito quente, ninguém fica em casa, todo mundo vai para o bar. E temos que dizer que essa pintura surge em volta da mesa de bar”, relata.
Em seguida, Aline Figueiredo resgata a história e a divisão geográfica de Mato Grosso para reportar o movimento das artes plásticas de um estado então ainda uno: “Esta história começa com Mato Grosso antes de ser dividido, começa com a Associação Mato-grossense de Artes, lá em Campo Grande, fizemos uma exposição em 66, que levou os críticos de artes importantes do Brasil inteiro para Mato Grosso, para saber onde ficava esse Mato Grosso”.
Jonas Alves, presidente do Conselho Deliberativo Estadual (CDE) do Sebrae de Mato Grosso, iniciou sua fala enfatizando o impacto que recebeu ainda na manhã da terça, horas antes da abertura da exposição, quando foi ao Museu da República. “Que alegria imensamente, tão repleta de arte de Mato Grosso, uma exposição como eu nunca vi nos meus 42 anos de Mato Grosso. Eu digo que fiquei impactado na hora que eu entrei de manhã para olhar os últimos preparativos para a exposição. E o que vi me impactou muito, porque Mato Grosso inteiro está aqui, de alma e coração; está presente no coração dessas pessoas que produziram. A bondade das pessoas que nos orientaram, que se serviram para expor os fatos que aqui que se deram, as horas de arte que foram nominadas por aqui”, afirmou, agradecendo ao final aos antigos e atuais diretores e funcionários do Sebrae de Mato Grosso, do Sebrae Nacional, além das equipes do Governo do Distrito Federal e do Museu.
Finalizando a abertura, Felipe Ramón Moro Rodrigues, subsecretário de Patrimônio do Governo do Distrito Federal, transmitiu, em nome do secretário distrital de Cultura e Economia Criativa, Cláudio Abrantes, “as boas-vindas a todos a esse nosso Museu Nacional da República, que é uma joia encostada aqui no meio do centro do poder, no meio da Esplanada dos Ministérios”. “Esta é uma das nossas casas. Nós temos diversos museus aqui no centro do poder. E este é um museu de arte contemporânea, destinado a representar o panorama das artes do Brasil. Mas ele é um museu que se encontra no Centro-Oeste. Não tem como falar de Brasil sem falar de dentro do próprio Brasil. Quando a gente trabalha aqui no Brasil, a gente é movido pelos nossos ideais profissionais, mas também pelos ideais da própria construção da cidade. Brasília foi construída para ser a integração nacional. O Estado do Mato Grosso merece mais reconhecimento no campo das artes nacionais. A gente, reconhecendo isso, oferecemos nossa casa para receber esta exposição. E interiorização: nós somos dois estados do interior. Um interior rico, em ambos os casos, potente, de todas as culturas, de uma maneira bastante importante no cenário brasileiro, mas que ainda não é reconhecido como tal. Então, sem mais delongas, aproveitem essa noite quente, ao estilo cuiabano”, finalizou.

Sobre a exposição
A exposição tem a curadoria de Divino Sobral e Laudenir Gonçalves, com assistência de curadoria de Rosana Schmitt e expografia de Guilherme Isnard. O processo curatorial escolheu obras e artistas de oito municípios mato-grossenses, Cuiabá, Canarana, Chapada dos Guimarães, Guiratinga, Nobres, Rondonópolis, Rosário do Oeste e Várzea Grande, contemplando técnicas como pintura, aquarela, escultura, objetos, cerâmica, fotografia e documentário.
As peças foram selecionadas a partir de 16 acervos, incluindo três institucionais, três comerciais e 10 privados. As obras estão disponíveis na exposição em sete núcleos temáticos: Ancestralidade indígena e indigenismo, A natureza: entre a pujança e a devastação, A presença da arte popular, Conexão com a religiosidade, A cidade de Cuiabá e a cuiabania, O povo mato-grossense e O grande Mato Grosso.
Outros depoimentos
A reportagem do Mutirum.com ouviu também outras autoridades, personalidades, artistas e público presentes à abertura da exposição. As entrevistas foram em vídeo, as quais publicamos a seguir:
André Schelini, diretor Técnico do Sebrae MT
Laudenir Gonçalves, um dos curadores da exposição
Deputado Beto Dois a Um, ex-secretário de Cultural, Esporte e Lazer de Mato Grosso
Paulo Pires, escultor
Andreia Zelensky, pintora
Vander Melo, pintor
David Moura, secretário da Secel-MT
Sebastião Silva, pintor e escultor
Jan Moura, secretário adjunto da Secel MT
Julia Moragas, visitante
Monique, Antonio e Henrique, educadores e da equipe de guias do Museu
Rô Silva, visitante e estudante de Artes da UnB
Gerson de Oliveira, visitante
2 comentários em “Exposição histórica reúne obras de 50 artistas de Mato Grosso no Museu Nacional da República, em Brasília”
Parabéns Mato Grosso. Parabéns Centro Oeste, nós somos grandes nas Artes Plásticas. Parabéns meu Amigo Laudenir ser pronto para levar o nome de Mato Grosso ara o Mundo, e Parabéns a todos os Artistas participantes desse grande evento. Fico orgulhoso com a nossa plasticidade. Parabéns ao Sebrae que sempre foi grande parceiro com as nossas Exposições no MACP/UFMT.
Está riquíssima a Exposição da Arte Mato Grossense ali na Esplanada dos ministérios no Museu da República! Senti e me recordei o quanto as obras de Adir Sodré, Gervane de Paula, Clovis Irigaray, Humberto Espíndola e Nilson Pimenta e tantos outros revelaram e ainda revelam ao mundo uma natureza e o patrimônio cultural únicos; e o quanto já denunciavam com beleza e irreverência junto ao movimento ambientalista da décadas de 1980 -1990 ( lembrando a participação de Bené Fonteles, Sérgio Guimarães, Heitor Queiroz etc) a destruição do Cerrado e Pantanal e Amazônia. Outro aspecto importante que foi, e é presente ainda por uma geração mais recente, a elevação da cultura popular ( – caso da imagem de São Gonçalo de seu Crínio da comunidade ribeirinha de São Gonçalo que traz uma forte emoção! ) tão rica neste centro da América do Sul! Linda e tocante está a Exposição com Miguel Penha, Ruth Albernaz, Sebastião Silva, Mário Friedlander e Mari Gemma de la Cruz e tantos outros. Na Abertura, a instalação de um conjunto de Parikos( cocares Boe Bororo ) por Liberio Boe é um belíssimo reconhecimento da arte indígena do povo que é o originário resistente naquelas águas e território.