Acervos contam com artistas renomados em Mato Grosso
Da Redação
O Sebrae Mato Grosso promoveu a abertura da exposição “Lírica, Crítica e Solar: Artes Visuais em Mato Grosso” no Museu Nacional da República, em Brasília, que fica aberta até o dia 11 de maio de 2025. Esta exposição coletiva marcou um momento histórico ao ser a primeira dedicada à produção artística de Mato Grosso em um grande museu, celebrando os 50 anos de atuação do Sebrae no estado.
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A mostra reúne 200 obras de 50 artistas locais, que exploram a diversidade cultural de Mato Grosso através de várias técnicas artísticas, como pintura, escultura, cerâmica e fotografia. Essas obras refletem a riqueza natural, a história e a identidade do estado, oferecendo aos visitantes uma visão profunda sobre a complexidade cultural de Mato Grosso.
Thania Monteiro de Arruda cedeu obras do artista João Pedro Arruda, que é tio dela. Encarregada de cuidar do acervo e legado dele, ela conta que ficou muito encantada com a exposição “Eu fiquei muito impactada com essa exposição lá em Brasília. Primeiro pelo valor desse acervo, reunindo 50 artistas do Centro-Oeste brasileiro, com projeção até internacional. A obra mais antiga é de 1945 e nós temos artistas de 2024, artistas contemporâneos. Então isso demonstra a potência do estado, o potencial artístico dos próprios artistas, no sentido de avançar nessa luta pela arte ao longo do século. Porque nós temos artistas do século passado, ali bem representados, com uma força muito grande. Brasília é o centro do poder, o Museu da República é um museu de repercussão simbólica, histórica, fortíssimo. É um museu desenhado pelo Oscar Niemeyer e no centro da capital do poder. Então, acho que só isso resume a importância da exposição”, conta ela.

João Nunes da Cunha Neto, que emprestou a tela “As Filhas do Fazendeiro”, de Gervana de Paula, de 1984, conta que a escolha dessa obra é muito significativa. “A curadoria da exposição pediu-me o empréstimo de um único quadro dentre os que possuo, pintados por Gervane de Paula. Essa obra é muito significativa dentre os trabalhos desse artista, sendo a de maior tamanho entre todas dessa série (2,10m × 1,10m). Uma delas se tornou propriedade do colecionador Gilberto Chateaubriand, sendo vista exposta e fotografada na sala de visitas de sua casa”, explica.
Falando sobre a importância da exposição, João Nunes ressalta que ela dá importante destaque para os pintores de outras décadas de Mato Grosso. “A exposição leva para Brasília os expoentes das artes plásticas de MT, permitindo acesso aos trabalhos realizados em 5 décadas, com especial destaque para os pintores da geração 80 de Mato Grosso. É uma grande oportunidade de divulgação para o público local e nacional, embora Brasília não se situe exatamente dentro do perímetro expoente das artes plásticas no Brasil”, finaliza.

Para Murillo Espínola de Oliveira Lima, o sentimento é parecido. Ele emprestou telas de Adir Sodré, Benedito Nunes, Dalva de Barros, Nilson Pimenta, entre outros artistas. “Sem dúvida alguma, essa é a maior exposição coletiva da história de Mato Grosso e abrirá novos caminhos para os artistas. O mais importante no trabalho de todos, inclusive, é a perseverança dos artistas. Alguns com um talento exuberanto e com pouca visibilidade”, diz ele.
De acordo com ele, com uma exposição em um local da importância do Museu Nacional da República, as carreiras dos artistas poderão tomar um novo rumo. “A exposição pode ser um marco muito importante para uma nova fase, para toda classe artística do nosso estado. E quando digo toda, estou incluindo os artistas que foram selecionados e também os que não foram, temos muitos que não participaram e que possuem amplas condições de estarem nas próximas que certamente virão pela frente”, conta Murillo.
Já Ronaldo Rodrigues, que também cedeu obras de Adir Sodré, Dalva de Barros, Ignez Corrêa da Costa, Marcelo Velasco, entre outros artistas, conta que quando olha para as obras, ele observa a própria história através delas. “Uma exposição como essa é importante nesse ambiente nacional para que consigamos mostrar e divulgar a arte mato-grossense para um maior número de pessoas. Não me intitulo como colecionador, mas sim um grande admirador da nossa arte; sou um comerciante que compra e vende artes, claro que sempre fica umas escolhida no acervo”, explica ele.

A exposição foi o início das celebrações dos 50 anos do Sebrae Mato Grosso, que culminaram em setembro de 2025. Com a parceria do Governo do Distrito Federal e do Museu Nacional da República, o evento foi um marco cultural para o estado e para o país, oferecendo uma nova perspectiva sobre a história e a identidade de Mato Grosso através da arte.
