Cinema indígena ocupa as telas do Araguaia com sessões gratuitas em Barra do Garças

Mostra exibe documentário sobre a trajetória de Mário Juruna e curta experimental produzido com estudantes Xavante

Da Redação, por Ana Luiza Queiroz

O cinema indígena ganha espaço nas telas de Barra do Garças nesta semana com a exibição gratuita dos filmes Araguaia Território Indígena — A Trajetória de Mário Juruna e Presenças Invisíveis. As sessões acontecem no Cinema do Barra Shopping, na terça-feira (26), às 19h30 e 20h, e na quinta-feira (28), às 14h30 e 15h.

As produções integram a série documental Araguaia Território Indígena, projeto audiovisual voltado ao registro de narrativas, memórias e experiências dos povos indígenas da região a partir do olhar indígena. Os dois filmes têm direção do professor, ator e cineasta xavante Xisto Tserenhi Ru Tserenhimi Rami.

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A mostra é uma realização da Curicaca Criativa Produção Cultural do Cerrado, coletivo que atua em diferentes áreas da cultura e da economia criativa, incluindo audiovisual, música, teatro, dança, Hip Hop, feiras culturais e formação artística.

O documentário sobre Mário Juruna resgata a trajetória de uma das maiores lideranças indígenas do Brasil. A obra nasceu do desejo de Xisto e de Sheila Juruna, esposa do diretor e filha de Juruna, de construir uma narrativa baseada na memória da comunidade e nos relatos familiares. O filme reúne depoimentos de parentes, moradores da aldeia e de Suzana Juruna, filha do líder indígena.

A produção conta ainda com codireção de Anne Carmo e direção de fotografia de Ricardo Marcondes Cesar de Almeida. O roteiro foi desenvolvido por Xisto Tserenhi, Anne Carmo, Ricardo Marcondes e Tom Christoffer Saldanha Alves. Já a assistência de produção teve participação de Dalize Tsanidza, neta de Mário Juruna.

Segundo Anne Carmo, produtora cultural e integrante da Curicaca Criativa, o projeto busca fortalecer o protagonismo indígena no audiovisual. “Durante muito tempo, as narrativas indígenas foram contadas por olhares externos. Quando os próprios indígenas passam a ocupar os espaços de direção, roteiro, atuação e produção audiovisual, surgem novas possibilidades de narrativa e preservação cultural”, destaca.

Já o curta experimental Presenças Invisíveis retrata a experiência de jovens estudantes Xavante que vivem em contexto urbano e enfrentam processos de invisibilidade na cidade. O filme foi desenvolvido de forma colaborativa com estudantes da Escola Estadual Irmã Diva Pimentel, sob coordenação da professora Mirtes Locatelli.

Durante a produção, os estudantes participaram de oficinas de roteiro, gravação e edição utilizando celulares. Além de atuarem no filme, eles contribuíram diretamente na construção das narrativas e na mobilização cultural da mostra. “O audiovisual também pode ser uma ferramenta de expressão, resistência e transformação social, especialmente para os jovens indígenas”, afirma Anne Carmo.

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