Chapada dos Veadeiros recebe 9º Encontro RAÍZES com saberes ancestrais e medicina tradicional

Evento gratuito reúne raizeiros, parteiras, benzedeiras, pajés e aprendizes em mais de 40 atividades entre Vila de São Jorge e Alto Paraíso de Goiás

A Chapada dos Veadeiros será palco, entre os dias 28 e 31 de maio, da 9ª edição do RAÍZES – Grande Encontro de Raizeiros, Parteiras, Benzedeiras e Pajés. As inscrições podem ser feitas até o início do encontro por meio do perfil oficial do evento no Instagram. O evento, realizado na Vila de São Jorge e em Alto Paraíso de Goiás, promove uma imersão nos saberes tradicionais da medicina popular e da cultura oral brasileira, reunindo mestres e mestras de diferentes regiões do país em uma programação gratuita e aberta ao público.

Idealizado pela Três Luas Etnobotânica e Produções Culturais, o encontro surgiu em 2016 com a proposta de preservar, fortalecer e difundir práticas ancestrais ligadas ao cuidado em saúde e ao conhecimento das plantas medicinais. A programação deste ano contará com mais de 40 atividades itinerantes, incluindo oficinas, rodas de conversa, benzimentos, saídas de campo no Cerrado, exibição de documentários, minicursos, contação de histórias, exposições, feiras e apresentações culturais.

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Segundo a organização, o RAÍZES recebe anualmente cerca de 100 mestres e mestras da tradição oral, além de aproximadamente 2 mil visitantes e aprendizes do Brasil e do exterior interessados em temas como medicina tradicional brasileira, biodiversidade do Cerrado e cultura popular.

As atividades serão distribuídas em diferentes espaços da região, como o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, a Associação Comunitária da Vila de São Jorge (ASJOR), a Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, a Praça do Artesão e a Fazenda Volta da Serra. O encerramento ocorre em Alto Paraíso de Goiás, com feira cultural e troca de sementes e mudas medicinais.

A coordenadora e idealizadora do evento, Daniela Ribeiro, destaca que muitos desses conhecimentos estão ameaçados pelo desaparecimento de seus guardiões, pela perseguição religiosa e pela devastação ambiental dos biomas brasileiros. “Fortalecer, salvaguardar, registrar e difundir essas manifestações culturais, com o protagonismo dos próprios mestres, é a nossa missão”, afirma.

Neste ano, a planta-símbolo escolhida pelo encontro é a aroeira-do-sertão (Astronium urundeuva), espécie nativa do Cerrado amplamente utilizada na medicina popular. Conhecida também como urundeuva e aroeira-preta, a planta possui aplicações medicinais tradicionais ligadas ao tratamento de infecções, doenças de pele e cuidados pós-parto.

Embora a maior parte da programação seja gratuita, algumas atividades terão cobrança de ingresso, como as visitas ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, a saída de campo na Fazenda Volta da Serra e as noites culturais da Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge. O evento também mantém uma campanha permanente de financiamento coletivo para apoiar sua realização.

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