Em vídeo publicado nas redes sociais, o professor Chimbo relembra os relatos que transformaram a antiga Rua do Barreiro em um dos endereços mais misteriosos da história de Poconé.
Carroça fantasma, mulher de branco e até uma misteriosa bola de fogo. Histórias como essas fazem parte da cultura popular de Poconé e voltaram a circular após o professor Chimbo, especialista em causos e histórias do município, publicar um vídeo relembrando as lendas que cercam a Rua 15 de Novembro, conhecida antigamente como Rua do Barreiro.

Conhecido por registrar e compartilhar causos, personagens e passagens da história de Poconé, o professor Chimbo costuma publicar vídeos sobre tradições e memórias do município. Em uma das gravações mais recentes, divulgada em 26 de maio, ele relembrou histórias que fizeram parte das lendas urbanas da cidade durante décadas.
Segundo o professor, a antiga Rua do Barreiro estava entre os locais mais citados quando o assunto eram assombrações. Assim como a Mangueira da Cooperativa, o Varal do Meio, o Cruzeiro próximo ao cemitério, o Figueirão da Rua Frei Carlos Vales e o Cumbaruzeiro da esquina das ruas São Benedito e Aleixo de Paula, a via ficou marcada por relatos transmitidos de geração em geração.

Segundo ele, a via era considerada um dos locais mais assombrados da cidade e ficou marcada por relatos transmitidos ao longo dos anos. As histórias surgiram em uma época em que o cenário era bem diferente do atual, com ruas sem asfalto, pouca iluminação e grandes áreas vazias ao redor das residências.
No vídeo, Chimbo explica que a Rua do Barreiro recebeu esse apelido porque o local era tomado por água e lama durante boa parte do ano. “Antigamente aqui não tinha esse calçamento, não tinha asfalto. Aqui escorria água o tempo todo e era muito barro”, relata.
Naquele período, a rua possuía poucas casas. Entre os moradores estavam famílias conhecidas da cidade, enquanto boa parte do entorno ainda era ocupada por terrenos abertos e áreas de pastagem. Quando a noite chegava, a escuridão dominava a região.
As histórias surgiram em uma época em que Poconé possuía características bem diferentes das atuais. A Rua 15 de Novembro ainda não era asfaltada, havia poucas residências e a iluminação pública era limitada. Segundo Chimbo, quando a energia era desligada durante a noite, grande parte da região ficava completamente às escuras.
O cenário contribuía para o surgimento de relatos e crenças populares. Em uma cidade cercada por áreas alagadas, vegetação nativa e ruas pouco movimentadas após o anoitecer, histórias sobre aparições acabavam ganhando força e sendo repassadas entre familiares e vizinhos.
Carroça na madrugada
Entre as histórias mais conhecidas está a de uma carroça que supostamente percorria a rua durante as madrugadas.
Segundo os relatos citados por Chimbo, moradores afirmavam ouvir o som das rodas e dos animais passando pela via, especialmente nas noites de lua cheia e às sextas-feiras, por volta da meia-noite. O mais intrigante, segundo as histórias, era que ninguém via a carroça.

O medo fazia com que muitos evitassem abrir portas ou janelas para verificar o que estava acontecendo do lado de fora. Os relatos foram repassados por décadas e ajudaram a consolidar a fama da Rua do Barreiro como um dos pontos mais misteriosos da cidade.
A mulher de branco
Outra figura frequente nas histórias era uma mulher vestida de branco que aparecia em uma das esquinas da rua. De acordo com os relatos, moradores chegaram a acreditar que se tratava de uma pessoa comum. Alguns até a cumprimentavam ao passar pelo local.

Pouco depois, porém, a mulher desaparecia sem deixar vestígios. A suposta aparição acabou se tornando uma das lendas mais conhecidas da região e permaneceu viva na memória dos moradores mais antigos.
A bola de fogo
Os mistérios não terminavam por aí. Segundo Chimbo, também havia relatos sobre uma esfera luminosa que descia pela rua em direção ao córrego Teresa Boa. A descrição variava conforme os testemunhos. Em alguns momentos a bola aparecia branca, em outros, assumia uma coloração avermelhada semelhante ao fogo.

Para muitos moradores da época, tratava-se de uma “alma penada”, figura presente em diversas crenças populares do interior do Brasil e frequentemente associada a fenômenos observados durante a noite.
Memória de uma cidade
A Rua do Barreiro não era o único local cercado por histórias sobrenaturais em Poconé. No vídeo, Chimbo também cita outros pontos que ganharam fama ao longo dos anos, como a Mangueira da Cooperativa, o Varal do Meio, o Cruzeiro próximo ao cemitério, o Figueirão da Rua Frei Carlos Vales e o Cumbaruzeiro localizado na esquina das ruas São Benedito e Aleixo de Paula.
Embora muitas dessas histórias façam parte apenas da tradição oral, elas continuam sendo contadas por moradores e ajudam a preservar aspectos da cultura popular do município.
Hoje, a Rua 15 de Novembro é bastante diferente daquela descrita pelos antigos moradores. O barro deu lugar ao asfalto, a iluminação pública transformou a paisagem e a ocupação urbana avançou.
Ainda assim, as lendas da antiga Rua do Barreiro permanecem vivas e seguem despertando a curiosidade de quem gosta de conhecer os causos e mistérios que ajudaram a construir a identidade de Poconé.
Fonte: Primeira Página
