Curso une palhaçaria e práticas terapêuticas para estimular autoconhecimento no Distrito Federal

Com 12 encontros presenciais entre agosto e dezembro, “Palhaço Interior” combina teatro, psicologia, biodança e contação de histórias em uma proposta de desenvolvimento pessoal por meio da arte

Da Redação, por Ana Luiza Zambonatto

A Escola Palhaço Interior está com inscrições abertas para a oitava edição do curso terapêutico Palhaço Interior, que começa no dia 8 de agosto, no Espaço de Afeto & Aprendizagem, no Lúcio Costa, região administrativa do Distrito Federal. A formação será realizada em 12 encontros presenciais, sempre aos sábados, das 15h às 19h, totalizando 48 horas de atividades.

As aulas serão realizadas entre agosto e dezembro, com encontros nos dias 8, 15, 22 e 29 de agosto; 12, 19 e 26 de setembro; 17 e 24 de outubro; 7 e 28 de novembro; e encerramento em 5 de dezembro. As inscrições e informações podem ser obtidas pelo telefone (61) 98190-7524 ou pelo perfil da Escola Palhaço Interior no Instagram.

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A proposta do curso é utilizar a linguagem da palhaçaria como ferramenta de autoconhecimento e expressão emocional. Por meio de exercícios cênicos, práticas corporais e reflexões sobre comportamento e afetividade, os participantes são convidados a explorar sentimentos, memórias e aspectos da própria identidade em um ambiente de acolhimento e experimentação.

A programação reúne aulas de maquiagem e figurino para palhaços, técnicas de comicidade, teoria da palhaçaria clássica, contação de histórias, biodança e atividades voltadas à relação entre psicologia e arte. Ao final da formação, os participantes recebem certificado emitido pela Escola Palhaço Interior.

Cláudio Moraes, condutor do curso.
Foto: Matheus Vellasco

O curso é conduzido pelo educador e artista Cláudio Moraes, que desenvolve um trabalho voltado à integração entre processos pedagógicos, práticas criativas e a chamada pedagogia do riso. A metodologia busca promover uma experiência de reconexão com a infância, utilizando o corpo, o humor e a vulnerabilidade como caminhos para o desenvolvimento pessoal e relacional.

A aluna Marina Bonotto, que participou da edição de 2024, descreve a experiência como um processo de descoberta pessoal. Segundo ela, a aproximação com a palhaçaria aconteceu após percorrer diferentes linguagens artísticas.

“Já faz um tempo que tenho o relacionamento com o campo das artes como alicerce para uma vida rica, com mais significado e qualidade. A dança valida o movimento, o canto justifica a voz, a música traduz o sentir, o teatro me faz sentir livre. E a palhaçaria? Eu não sabia muito bem o que encontraria”, relata.

Um dos momentos que mais marcou a participante foi o chamado “exercício do ridículo”, realizado logo no primeiro encontro. A dinâmica propõe que cada participante reconheça e experimente a própria vulnerabilidade.

“O nome é maravilhoso e perfeitamente preciso. A proposta era reconhecer, apresentar e desenvolver o estado de ridiculamente vulnerável como pesquisa pessoal e coletiva. Cada um que estava ali escolheu entrar em contato com o seu ridículo interior e, às vezes, com o seu palhaço. Com prática, eventualmente ele deixa de ser somente interior.”

Marina conta que, durante a atividade, percebeu comportamentos que carregava no cotidiano sem notar.

“A mais ridícula das coisas que pude encarar em mim foi reconhecer um comportamento sempre polido, apropriado, preocupado, bobo e, na maior parte das vezes, sem um nariz vermelho para me acolher.”

Segundo ela, o curso ajudou a ressignificar a relação com o erro e com a exposição diante do outro.

“Ela reagiu irritada, cruzando os braços e batendo as botas, em estado de birra, sem pensar duas vezes. Era o impulso em sua performance natural. O ser em modo autêntico, livre do medo de errar, porque o próprio errar é a maior garantia de acerto. O tropeço que gera o riso é um ato sensível e revela, a cada queda, uma pedra preciosa”, finaliza.

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