Atividade promovida pelo Mutirum Instituto, em parceria com a Secel-MT, reuniu profissionais e representantes da cultura para discutir práticas inclusivas no Ciclo 1 da Política Nacional Aldir Blanc
Da Redação
O Mutirum Instituto, em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT), realizou na última quinta-feira (6) a Oficina Acessibilidade, na execução e prestação de contas de projetos culturais contemplados pelo Ciclo 1 da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). A atividade ocorreu às 19h, de forma virtual, pela plataforma Google Meet.
A formação foi conduzida por Andreza Nóbrega, da VouSer Acessibilidade (PE), e Milton Carvalho, da Secretaria de Desenvolvimento Social (SEDES), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), no Distrito Federal. A atividade contou ainda com a mediação de Keiko Okamura, da área de Economia Criativa da Secel-MT, DJ Taba, presidente do Conselho de Cultura de Cuiabá e Mário Olímpio, advogado.
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A proposta foi ampliar a compreensão dos agentes culturais sobre a importância de incorporar a acessibilidade aos projetos desde sua elaboração, passando pela execução até a etapa de prestação de contas. A discussão também abordou os direitos das pessoas com deficiência e os caminhos para que medidas de acessibilidade estejam integradas à própria concepção dos projetos culturais.
Para Andreza Nóbrega, a acessibilidade deve ser compreendida para além de uma exigência legal. Segundo ela, os recursos de inclusão também podem contribuir para a criação artística e ampliar o alcance das iniciativas culturais.
“A acessibilidade precisa ser considerada já na escrita do projeto. Quando a gente pensa em acessibilidade desde o início, desde o momento em que o projeto está sendo gestado, ela pode fazer parte da própria concepção artística”, afirmou.
A facilitadora também destacou a importância de contar com profissionais capacitados e com a participação de pessoas com deficiência na construção das ações. Para ela, essa abordagem permite que a acessibilidade seja incorporada de maneira transversal ao projeto, em vez de ser pensada apenas como uma adaptação posterior.

“Mais do que pensar em adaptações depois que tudo já está pronto, a ideia é trazer essa perspectiva desde a elaboração, prevendo uma equipe de acessibilidade devidamente capacitada e que conte também com a participação de pessoas com deficiência”, explicou Andreza.
A importância da formação para o fortalecimento do setor cultural também foi ressaltada por Vicente de Albuquerque, vice-presidente do Conselho de Cultura de Cuiabá. Para ele, a oficina contribuiu para qualificar a execução e a prestação de contas dos projetos do primeiro ciclo da PNAB.
“A oficina foi um ambiente extremamente resolutivo para qualificarmos a execução e a prestação de contas no âmbito do Ciclo 1 da Política Nacional Aldir Blanc”, avaliou.
Vicente também destacou que tratar a acessibilidade de forma transversal na gestão de projetos públicos representa uma estratégia para ampliar o acesso às políticas culturais e garantir que as ações alcancem diferentes públicos.
“Acessibilidade de forma transversal na gestão de projetos públicos não é mero rigor administrativo, mas a premissa técnica indispensável para garantirmos eficácia social, democratização de acesso e conformidade com as diretrizes do fomento cultural em Mato Grosso”, afirmou.
Segundo ele, a condução dos facilitadores contribuiu para ampliar a discussão e apresentar possibilidades práticas para a inclusão. “Eles demonstraram na prática como construir mecanismos inclusivos desde a concepção da proposta até a entrega final dos relatórios”, disse.
Para DJ Taba, presidente do Conselho de Cultura de Cuiabá e um dos mediadores da atividade, a formação também reforça a diversidade cultural presente em Mato Grosso, incluindo os territórios indígenas.
“Este ciclo de oficinas da PNAB é celebrar a força da nossa diversidade, acessibilidade, especialmente ao alcançarmos os territórios culturais indígenas, onde a arte e a tradição são pilares fundamentais”, afirmou.
O conselheiro destacou ainda a participação de agentes culturais de diferentes regiões e a importância da apropriação das ferramentas apresentadas durante as formações para a execução dos projetos.
“Minha felicidade é imensa ao ver agentes de todas as regiões, das aldeias às cidades, se apropriando das ferramentas para transformar seus projetos em realidade, de sucesso”, declarou.
A oficina integra um conjunto de ações voltadas à qualificação de agentes culturais para a execução das políticas de fomento e para o fortalecimento da produção cultural em Mato Grosso. Já foram realizadas oficinas por todo Mato Grosso, inclusive em território indígena, passando por Barra do Garças, Cáceres, Cuiabá, Lucas do Rio Verde, Primavera do Leste e Juína.
