Obra de Mariana Destro Marioto é resultado de pesquisa de mestrado na UFMT e reúne documentos históricos, entrevistas e relatos de jovens dançarinos e estudantes
Da Redação
Lançado na última sexta-feira (21), no Cine Teatro, o livro “Dança da Arraya-Miúda: racialidade e cultura histórica sobre o siriri nas narrativas de jovens dançarinos e estudantes” explora a relação entre dança, história e racialidade. Ele é da pesquisadora, professora e bailarina Mariana Destro Marioto.
A obra investiga como o siriri é compreendido e narrado a partir de suas relações com a história e com a presença da população negra na formação cultural de Mato Grosso. Resultado da dissertação de mestrado em História de Mariana pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), ele reúne documentos históricos, entrevistas sobre a prática do siriri e atividades realizadas com estudantes.
O projeto também prevê a produção de um documentário, atualmente em desenvolvimento.
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Um dos pontos centrais da investigação é a forma como as danças regionais são frequentemente apresentadas a partir da ideia de miscigenação entre povos indígenas, africanos e europeus. A partir de sua própria trajetória como dançarina e da experiência junto a grupos de cultura popular, Mariana passou a observar de maneira mais aprofundada como a presença negra aparece, ou deixa de aparecer, nessas narrativas.
A convivência com o grupo Flor do Campo, formado majoritariamente por pessoas negras, contribuiu para ampliar esse olhar. A experiência levou a pesquisadora a investigar de que maneira a racialidade atravessa a construção histórica do siriri e como jovens dançarinos e estudantes percebem e narram essa história.
O próprio título da obra tem origem em um documento histórico encontrado durante a pesquisa. O termo “arraya-miúda” era utilizado para fazer referência às camadas populares relacionadas a práticas culturais como o samba, o siriri e o cururu. Ao recuperar a expressão, a autora procura trazer para o centro da discussão sujeitos e manifestações que, segundo a pesquisa, nem sempre ocuparam espaço de destaque nas narrativas históricas.
A pesquisa parte da manifestação cultural para discutir como determinados grupos sociais são representados na construção da história de Mato Grosso e como as próprias danças populares podem ser utilizadas como caminhos para compreender o passado.
