Peças únicas transformam grafismos Xavante em moda pelas mãos de estilista indígena de MT

Projeto Da’udza – Moda Ancestral levou a estilista Dalize Tsanidza a aprimorar técnicas de corte e costura e transformar símbolos de seu povo em roupas produzidas manualmente.

Grafismos, memórias e elementos da cultura Xavante ganham novas formas pelas mãos da estilista indígena Dalize Tsanidza, da aldeia Nova Esperança, na Terra Indígena São Marcos, em Barra do Garças (MT). À frente da Da’udza Moda Ancestral, ela transforma referências de seu povo em peças únicas, produzidas manualmente e carregadas de identidade.

O trabalho foi apresentado ao público durante a quarta edição do Festival de Teatro Luiz Carlos Ribeiro, realizado no Cine Teatro Cuiabá. A exposição marcou uma nova etapa na trajetória da estilista, que começou a desenvolver as próprias roupas a partir do projeto Da’udza – Moda Ancestral, aprovado pelo edital MT Criativo, da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB).

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O nome do projeto vem da língua do povo Xavante. “Da’udza” significa “roupa” e resume a proposta de Dalize de levar para a moda elementos que fazem parte da cultura e da memória de seu povo.

Desde criança, ela já demonstrava interesse por roupas e por formas de expressão por meio da pintura. Na aldeia, costumava personalizar as próprias peças e, posteriormente, passou a pintar roupas dos filhos utilizando grafismos relacionados aos clãs Xavante.

“Sempre gostei de moda. Desde criança já gostava de pintar e me arrumar, de andar estilosa na aldeia. Sentia bem com a roupa que gostava de vestir, mesmo que fosse rasgada”, conta.

A experiência com a pintura despertou o desejo de ir além da customização e começar a confeccionar as próprias peças. “Queria mostrar para as pessoas como são os símbolos da nossa cultura”, explica.

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Antes de iniciar a formação de costura e modelagem, a estilista já pintava peças prontas na aldeia. – Foto: Reprodução

Foi justamente nesse momento que o projeto Da’udza – Moda Ancestral possibilitou que a artista avançasse na produção. Com a aprovação no edital, Dalize conseguiu permanecer na cidade para participar de formações em corte e costura e marketing voltado às redes sociais.

A partir da iniciativa, ela passou a dominar também as etapas de criação e confecção das roupas. “Faço corte, costura e grafismo. Passamos a receber muitas encomendas com o projeto”, destaca.

Peças que não se repetem

A proposta da Da’udza Moda Ancestral não é produzir roupas em larga escala. Cada peça é confeccionada manualmente e incorpora elementos da cultura Xavante, fazendo com que o trabalho tenha características próprias.

A produtora cultural Anne Carmo, responsável pela elaboração do projeto, explica que a intenção é justamente fortalecer uma cadeia produtiva baseada na produção indígena.

“A produção é única. É uma produção totalmente manual e estamos numa política expansiva para conseguir aprovar mais projetos de mulheres de aldeia a fim de colaborar com a cadeia produtiva. Mas, hoje, mesmo com produção individual, Dalize está conseguindo suprir a demanda”, afirma.

A primeira exposição das criações ocorreu na Feira Regional de Economia Criativa do Araguaia. Depois da repercussão, Dalize foi selecionada para apresentar as peças no Cine Teatro Cuiabá durante o Festival de Teatro Luiz Carlos Ribeiro.

Mais do que roupas, a estilista busca transformar em vestimenta elementos que carregam significados para o povo Xavante. As peças conectam grafismos, natureza, território e conhecimentos transmitidos entre gerações.

Neta do histórico indígena Mário Juruna, Dalize também encontra na própria trajetória familiar uma referência para o trabalho que desenvolve.

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Além da formação para a costura e modelagem, a estilista também contou participou de oficinas de marketing digital. – Foto: Reprodução

Próximo passo é lançar a marca

Depois da exposição em Cuiabá, a estilista já se prepara para uma nova etapa da Da’udza Moda Ancestral. O desfile de lançamento oficial da marca está previsto para dezembro, em Barra do Garças.

Além da formação em corte e costura, o projeto também prevê a preparação da artista para cuidar da divulgação do próprio trabalho. A proposta é que Dalize utilize os conhecimentos adquiridos em marketing e redes sociais para ampliar a visibilidade da marca e fortalecer a comercialização das peças.

Para a estilista, o apoio recebido representa a oportunidade de transformar uma habilidade que nasceu ainda na infância em uma atividade profissional capaz de levar a cultura Xavante para novos espaços.

“Foi um marco para mim, consegui finalmente exibir as minhas próprias roupas para o público em geral”, comemora.

Fonte: Primeira Página

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