O romance de Suzana Varjão ganha o mercado editorial de todo o País em 18 de setembro
A “Cidade de bolhas e vãos” está situada num planeta devastado por desastres ambientais e sanitários, em um tempo marcado pela renúncia às utopias e pela falência das instituições democráticas. E nessa ambiência física e moral, uma jovem negra é instada a aderir à guerra de lugares – físicos e outros – travada entre os opressores e oprimidos da nova ordem mundial.
Em síntese, esse é o fio condutor do mais recente livro de Suzana Varjão, que a Minimalismos estará disponibilizando para todo o País, no próximo dia 18 de setembro. Acompanhando a tendência mundial do mercado, o perfil digital da editora e a ambiência futurista da história, a obra não terá pontos físicos de distribuição, que será totalmente online (ver tópico “Serviço”).
Apesar do modelo virtual do lançamento, para celebrar a data, no mesmo dia, a partir das 18 horas, a escritora baiana reunirá amigos num bistrô, em Brasília, onde reside, para um bate-papo descontraído (ver tópico “Serviço”). “É uma forma de harmonizar a tradicional sessão de autógrafos com o modelo ditado pela era digital”, ela explica.
O romance é futurista, mas alguns eventos parecem escapar de suas páginas para se instalarem no tecido social da atualidade (ver tópico “Fatos curiosos”). É a impressão que se tem ao observar os fatos que antecederam a edição da obra, publicada em dezembro de 2025 e distribuída para alguns leitores, mas só agora lançada em escala nacional.
Ambiência. Cenário da batalha, a “Cidade de bolhas e vãos” subdivide-se nas zonas aérea, terrestre e intermediária – moradas, respectivamente, dos escolhidos, dos descartados e dos operadores do sistema. Em todas elas, punhados de inconformados, que se articulam para enfrentar a perversa configuração social.
No centro da disputa, um alvo precioso: a memória, que os vencedores tentam apagar, com o auxílio da comunicação e da inteligência artificial; e os insurgentes buscam resgatar, para fortalecer a luta pela recuperação do ecossistema terrestre e a preservação das identidades, dos saberes, das culturas, das vidas que se quer eliminar.
As bolhas e os vãos. Deixados para morrer, baldios e ninguéns sobrevivem em um território “árido de cidadania”, ocupando gretas urbanas e o que restou de uma das regiões florestais mais ricas do mundo, após milênios de saques e degradação: um cemitério de árvores, com seus cursos de água pastosa, enegrecida, morta.
Contrastando com a atmosfera gris do chão do mundo, a cidade aérea, asséptica, bem provida e guardada por exércitos de drones, robôs e seres humanos tão autômatos quanto máquinas. Iluminadas, as bolhas formam aglomerados que produzem imagens fascinantes, “o feio maquiado de belo, a violência camuflada de serenidade”.
Enquanto investiga as causas de um novo surto, a protagonista é confrontada com tramas e truques dos moradores das bolhas, que apagam as fronteiras entre virtual e material, simulação e realidade, verdade e mentira, gente e máquina, exterminando os não manipuláveis e gerando, no processo, uma legião de humanoides.
E em meio a gente-gente, gente-máquina e gente-miragem, vive o amor por uma mulher branca – tão incerto quanto o futuro da Terra.

FATOS CURIOSOS
Editada pela Minimalismos, a obra começou a ser escrita em 2019, mas, pouco antes de ser finalizada, em 2020, aconteceu a pandemia de Covid, e os originais foram deixados de lado. Motivo: a história se passava num mundo pós-pandêmico, acometido por um possível novo surto – coincidência que incomodou a escritora.
E as interseções entre realidade e ficção não pararam por aí. Refeita do desconforto, a autora resolveu finalizar o romance, e em março de 2025 enviou os originais para diferentes editoras. Mas enquanto aguardava os resultados das convocatórias, foi surpreendida, em outubro do mesmo ano, pelo caso do metanol – o novo surto anunciado no enredo literário…
Pensou novamente em interromper o processo, mas um e-mail a fez “desistir de desistir” – o da Minimalismos, informando que o livro havia sido escolhido para compor seu catálogo de obras. Detalhe: a mensagem era de abril, mas ficara retida na caixa de spam da romancista. Ela então entrou em contato com a editora, e decidiram acelerar o processo de publicação.
Varjão conta, no prefácio de “Cidade de bolhas e vãos”, que “alguns dos amigos, revisores e editores que leram os originais, antes da ocorrência dos dois desastres sanitários, chamaram de premonição. Eu chamo de projeção, porque o mundo estava caminhando para eles e para outros, tão ou mais graves – alguns dos quais, arquitetados nesse romance”.
A AUTORA
Suzana Varjão é uma renomada jornalista, pesquisadora e escritora baiana, cujo trabalho resultou em 28 prêmios de reportagem – a maioria, pela defesa de direitos humanos, temática recorrente de seus 11 livros e de dezenas de artigos publicados em coletâneas e revistas do Brasil e da América Latina. “Cidade de bolhas e vãos” é o primeiro romance da autora, que se destaca ainda como crítica de teatro, ensaísta, contista e cronista.
FICHA TÉCNICA
O quê: lançamento nacional de livro e bate-papo com a escritora
Quando: 18 de setembro de 2026
Local do bate-papo: bistrô da livraria Sebinho (CLN 406, bloco C)
Horário: 18 horas
Título: Cidade de bolhas e vãos
Autora: Suzana Varjão
Gênero: Romance
Páginas: 221
Editora: Minimalismos
Aquisição online pelo link:
