Ancine torna Malha Fina modelo permanente para análise de prestações de contas

Metodologia será aplicada a 499 projetos audiovisuais no ciclo 2025-2026 e combina automação, análise de riscos e avaliação individualizada

Da Redação

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) tornou o Malha Fina um modelo permanente para análise de prestações de contas de projetos audiovisuais financiados com recursos públicos. A metodologia, desenvolvida em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), será aplicada em conjunto com as análises manuais e passará por avaliações anuais.

A terceira fase do modelo, referente ao ciclo 2025-2026, abrange 499 projetos, que somam aproximadamente R$ 710 milhões em recursos captados ou contratados. A iniciativa busca modernizar os procedimentos de fiscalização, reduzir o tempo de análise e direcionar os esforços técnicos para processos que exigem maior aprofundamento.

O Malha Fina combina critérios de materialidade financeira, análise de riscos, trilhas automatizadas, modelos preditivos e avaliações individualizadas. A metodologia mantém a verificação do cumprimento dos objetivos dos projetos e o controle da execução financeira, além de permitir a identificação de possíveis irregularidades e a adoção de medidas de responsabilização.

Resultados da metodologia

Entre 2024 e 2026, cerca de 6,1 mil prestações de contas foram analisadas e concluídas, o que permitiu superar aproximadamente 90% do passivo histórico da Agência. Segundo a Ancine, a mudança metodológica equivale a mais de 40 anos de trabalho manual e representa uma economia estimada superior a R$ 1,5 bilhão em custos administrativos evitados.

O passivo ativo foi reduzido para 619 processos, com previsão de conclusão em pouco mais de três anos.

O Tribunal de Contas da União (TCU) reconheceu o Malha Fina como boa prática de gestão no Acórdão nº 726/2026-TCU-Plenário. O órgão destacou o uso de modelos preditivos, a priorização por materialidade financeira e os controles automatizados. Também registrou que, em 2024 e 2025, a Ancine analisou mais processos do que nos 15 anos anteriores somados.

Com a institucionalização, a Agência prevê aplicar a metodologia periodicamente a novos conjuntos de projetos, considerando riscos e valores envolvidos. Os resultados de cada ciclo servirão para avaliar o desempenho dos instrumentos e orientar melhorias nas etapas seguintes.

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