Exposição, documentário e mostra de vídeos indígenas abrem programação do II Moitará no IFMT em Cuiabá

Evento reúne produções audiovisuais, exposição fotográfica e debates sobre arte, memória e identidade indígena

Da Redação

O Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) recebe, a partir do dia 19 de maio, a abertura da programação do II Moitará, evento que promove atividades voltadas à valorização das culturas indígenas por meio da arte, do audiovisual e da formação cultural. A programação conta com lançamento de documentário, exposição fotográfica e mostra de vídeos indígenas, em parceria com a Casa Vítuka.

A abertura ocorre às 8h30, com a exibição do documentário “O Grande Dia: a força espiritual Terena”, dirigido por Fernando Terenoe, da Aldeia Passarinho, localizada no município de Miranda, em Mato Grosso do Sul. O filme aborda elementos espirituais e culturais do povo Terena e marca o início das atividades do evento no campus.

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No mesmo dia, a Biblioteca Central do IFMT recebe a exposição “Eu Sou uma Árvore”, da artista e curadora indígena Naine Terena. A mostra reúne obras da série homônima e propõe reflexões sobre ancestralidade, território e identidade indígena contemporânea.

Durante a semana, a programação também inclui produções audiovisuais do artista Gustavo Caboco Wapixana, entre elas o vídeo Kanau’kyba – Caminho das Pedras, obra que integrou a 34ª Bienal de São Paulo.

Segundo Naine Terena, a participação da Casa Vítuka no evento surgiu a partir da aproximação com estudantes e professores do IFMT, iniciada em 2025, durante visitas ao espaço cultural. A proposta, segundo ela, é ampliar o diálogo sobre a presença e a produção artística indígena para além das discussões realizadas apenas no mês de abril. “A Casa Vítuka funciona durante todo o ano e buscamos apresentar a dinâmica indígena em suas muitas faces. Esse intercâmbio com o IFMT permite compartilhar processos de formação artística e cultural, criando novas possibilidades de diálogo”, afirmou.

O professor Claudio Dias destacou que a parceria fortalece ações ligadas à Lei 11.645/08, que prevê o ensino da história e cultura indígena nas escolas brasileiras. “A parceria com a Casa Vítuka tem sido fundamental para trazer a temática indígena para dentro da escola, combatendo preconceitos e ampliando o acesso à informação sobre os povos originários em Mato Grosso”, disse.

Além da programação artística, o evento também integra ações formativas desenvolvidas pela Casa Vítuka. A ida do diretor Fernando Terenoe a Cuiabá faz parte de um planejamento estratégico da instituição, realizado em parceria com a organização Guardiões do Pantanal/Environmental Justice Foundation (EJF).

Durante a estadia na capital mato-grossense, Fernando participou do registro audiovisual da residência artística “A Resposta Somos Nós”, que selecionou a jovem artista Kayabi Karine Myau, da Aldeia Tatuí, em Juara (MT). A residência contou com mentoria do fotógrafo e documentarista Ahmad Jarrah, com atividades voltadas ao acolhimento, identidade e memória coletiva.

Para Karine Myau, a experiência representa uma oportunidade de ampliar referências artísticas e fortalecer sua produção cultural. “Cada atividade desperta novas reflexões sobre território, memória e identidade cultural. Esse espaço de troca tem sido muito importante para minha formação”, relatou.

A residência artística integra o Projeto Plataforma Vítuka, iniciativa voltada ao fortalecimento da autonomia narrativa e da sustentabilidade de artistas e produtores culturais indígenas, conectando saberes tradicionais às linguagens contemporâneas.

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