“Aqui Não Entra Luz” estreia no Cine Teatro Cuiabá com sessão especial nesta terça-feira

Documentário premiado de Karol Maia aborda heranças da escravidão na arquitetura brasileira e o impacto social do trabalho doméstico no país

Da Redação, por Ana Luiza Queiroz

O premiado documentário “Aqui Não Entra Luz”, dirigido pela cineasta brasileira Karol Maia, será exibido hoje, terça-feira (19), às 19h30, no Cine Teatro Cuiabá, em parceria com a Embaúba Filmes. Os ingressos custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia), com vendas antecipadas pela Sympla e liberada no local às 14h. A classificação indicativa é de 10 anos.

Com 78 minutos de duração, o longa acompanha a trajetória de mulheres que trabalham ou trabalharam como empregadas domésticas em diferentes regiões do país. Entre elas está Miriam Mendes, mãe da diretora, cuja vivência pessoal inspirou o projeto. Filha de trabalhadora doméstica, Karol Maia constrói o documentário a partir das memórias da infância, quando acompanhava a mãe durante o expediente em casas de famílias da elite paulistana.

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A obra investiga como os espaços de serviço dentro das residências brasileiras foram historicamente planejados para reforçar hierarquias sociais e raciais. Em entrevistas recentes, a diretora destacou que os tradicionais “quartinhos de empregada”, geralmente localizados próximos à cozinha e à lavanderia, revelam uma lógica arquitetônica marcada pela segregação.

Durante a pesquisa, iniciada em 2017, a equipe visitou antigas Casas Grandes e senzalas abertas à visitação pública, observando como os espaços destinados às pessoas escravizadas receberam menos preservação histórica e estrutural ao longo do tempo.

Segundo a diretora, elementos encontrados nessas construções ainda se refletem na arquitetura contemporânea brasileira, como entradas de serviço, elevadores separados e quartos reduzidos destinados às trabalhadoras domésticas. O filme também discute como o trabalho doméstico permanece desvalorizado economicamente no país, mesmo sendo amplamente presente em diferentes classes sociais.

O debate levantado pelo documentário também dialoga com discussões recentes no Congresso Nacional. Em abril deste ano, a Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que proíbe o uso de expressões como “quarto de empregada” e “dependência de empregada” em projetos arquitetônicos. A proposta busca combater termos associados a uma herança histórica de servidão e desigualdade social.

Desde sua estreia, “Aqui Não Entra Luz” vem acumulando reconhecimento no circuito audiovisual brasileiro. Em 2025, o longa recebeu o Prêmio de Melhor Direção e o Prêmio Zózimo Bulbul de Melhor Filme no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, além de conquistar o prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular na Mostra de Cinema de Gostoso.

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