Com estudos de morador de Várzea Grande, publicação expõe histórias de fenômenos que se misturam às paisagens naturais e ao patrimônio cultural do estado.
Da misteriosa Serra do Roncador, passando pelo lendário ‘discoporto’ de OVNIs de Barra do Garças, até à Chapada dos Guimarães, o estado de Mato Grosso reúne uma combinação única de natureza, arqueologia, cultura indígena e fenômenos inexplicáveis que há décadas atraem pesquisadores, aventureiros e turistas de todo o mundo.
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Por conta destes elementos o estado atravessou fronteiras e foi destaque na edição de agosto da revista Phenomena Magazine, produzida no Reino Unido, que teve como matéria de capa o Aeroporto de OVNI’s, em um estudo sobre a relação do estado com relatos de objetos voadores não identificados, sítios arqueológicos e destinos que integram a rota do ufoturismo.
Quem escreve ao longo das seis páginas da publicação especial sobre Mato Grosso no periódico britânico é o morador de Várzea Grande (MT) e presidente da Associação Mato-Grossense de Pesquisas Ufológicas e Psíquicas (AMPUP), Ataíde Ferreira.
Sob o título “Ufoturismo em Mato Grosso – Do mito ao mapa: quando os mistérios se tornam destinos” (em tradução livre), a publicação mostra como o estado reúne elementos que vão muito além dos relatos de OVNIs.
🛸 Mato Grosso na rota do ufoturismo
Um dos pontos centrais abordados por Ataíde é o potencial de Mato Grosso para o chamado ufoturismo, segmento que reúne viagens, natureza, cultura, histórias locais e o interesse por fenômenos ainda sem explicação definitiva.
A reportagem compara o estado a destinos internacionais que ficaram conhecidos justamente por histórias relacionadas a fenômenos ufológicos, como Roswell, nos Estados Unidos, Hessdalen, na Noruega, e San Clemente, no Chile.
O turismo além das paisagens
Diferentemente do turismo convencional, os visitantes não buscam apenas admirar paisagens. Eles também querem conhecer histórias, investigar mistérios e explorar lugares onde permanecem perguntas sem respostas definitivas.
Cita Ataíde Ferreira, presidente da Associação Mato-Grossense de Pesquisas Ufológicas e Psíquicas (AMPUP)
Segundo o artigo, Mato Grosso possui uma combinação particularmente favorável para esse tipo de turismo: paisagens de grande dimensão, patrimônio arqueológico, tradições indígenas e uma extensa coleção de relatos envolvendo luzes misteriosas e objetos observados nos céus.
A proposta, porém, não é apresentar os relatos como fatos comprovados, mas mostrar como essas histórias passaram a fazer parte do imaginário e da identidade cultural de determinadas regiões.
👽 Aeroporto de OVNIs de Barra do Garças ganha espaço
Entre os locais apresentados na publicação britânica, um dos maiores destaques é o famoso Aeroporto de OVNIs de Barra do Garças (MT).
O texto relembra que, em setembro de 1995, uma lei municipal reservou uma área para a criação de um espaço simbólico destinado ao pouso de discos voadores.
A iniciativa partiu do então prefeito Valdon Varjão. A ideia, que poderia ser encarada apenas como uma curiosidade, acabou se transformando em uma estratégia de divulgação turística.

O local foi implantado no entorno da Serra Azul e passou a chamar a atenção de jornais, revistas, programas de televisão e visitantes interessados nos mistérios atribuídos à região.
Para Ataide, a iniciativa mostrou como uma característica peculiar de uma cidade pode ser transformada em elemento de identidade e atração turística.
“Mais importante ainda, sua criação ajudou a abrir espaço para que a ufologia fosse vista não apenas como objeto de investigação, mas também como uma forma de patrimônio cultural capaz de contribuir para o desenvolvimento regional”, diz trecho da publicação.

Serra do Roncador e uma aura de mistério
Outro personagem central da reportagem é a Serra do Roncador, em Barra do Garças, apresentada como um dos lugares mais emblemáticos quando o assunto é mistério em Mato Grosso. O artigo também aborda o próprio fenômeno que deu nome à serra.
A formação montanhosa é associada, há décadas, a histórias de luzes misteriosas, desaparecimentos, cidades subterrâneas, inscrições rupestres e supostos encontros com inteligências não humanas.

Em determinadas condições, correntes de vento passam pelos paredões rochosos e produzem sons profundos, semelhantes a um grande ronco. O fenômeno natural ajudou a alimentar a atmosfera enigmática do local e diferentes interpretações populares ao longo do tempo.
A reportagem também apresenta relatos de moradores sobre luzes observadas durante a noite, descritas como objetos que surgem sobre as montanhas, realizam movimentos incomuns e desaparecem sem deixar vestígios.
💡 O primeiro OVNI documentado da história brasileira
Entre os episódios históricos apresentados na matéria está um relato atribuído a Augusto João Manoel Leverger, militar, geógrafo e historiador que posteriormente recebeu o título de Barão de Melgaço.
Segundo a reportagem, em 5 de julho de 1846, durante uma navegação pelos rios da região, Leverger teria observado um fenômeno luminoso incomum. O relato posteriormente foi publicado na Gazeta Official do Império do Brasil.

De acordo com a descrição apresentada no artigo, um globo luminoso teria atravessado o céu deixando um extenso rastro brilhante. Diferentes formas geométricas teriam sido observadas dentro da luminosidade, que permaneceu visível por aproximadamente 25 minutos.
O episódio é apresentado como um dos registros históricos mais antigos de um fenômeno aéreo anômalo no Brasil.
🌍 Tradições indígenas também fazem parte da história
A reportagem também procura mostrar que as histórias sobre fenômenos celestes em Mato Grosso são muito anteriores ao surgimento da ufologia moderna.
Ataide aborda tradições de povos indígenas, citando Bororo, Xavante e Kayapó e suas narrativas sobre luzes, entidades celestiais e acontecimentos extraordinários.
Um dos exemplos apresentados é o Aroê-Kodureu, expressão associada, segundo o artigo, à ideia de “alma voadora” entre os Bororo. Também são mencionados os Uzô-né-ran, relacionados aos Xavante e descritos na reportagem como esferas luminosas associadas a mensagens ou sinais.
O texto ressalta, contudo, que essas narrativas pertencem ao universo cultural e espiritual dos povos indígenas e não devem ser interpretadas exclusivamente pela ótica da ufologia contemporânea.
🪨 Pinturas rupestres e outros mistérios
O patrimônio arqueológico de Mato Grosso também aparece entre os elementos que, segundo a reportagem, ajudam a construir a imagem misteriosa do estado.
Ataíde cita inscrições e pinturas rupestres encontradas em diferentes pontos da região, incluindo áreas próximas a Barra do Garças e Chapada dos Guimarães.
Entre os registros mencionados estão círculos, formas geométricas e figuras que, para alguns pesquisadores ligados à ufologia, apresentam semelhanças com representações modernas de discos voadores.

O artigo também apresenta a Gruta dos Pézinhos, na região da Serra do Roncador, onde existem marcas na rocha que lembram pegadas com três, quatro e seis dedos.
Outro ponto citado é a Gruta da Estrela Azul, conhecida por inscrições rupestres e representações geométricas que despertam diferentes interpretações.

“Produzidas milhares de anos atrás, essas pinturas e inscrições continuam alimentando debates entre arqueólogos, historiadores e pesquisadores independentes. Chamam especialmente a atenção os círculos concêntricos, formas semelhantes a discos e símbolos geométricos recorrentes encontrados em diversos painéis de arte rupestre da região”, diz trecho.
⛰️ Chapada dos Guimarães entra no mapa com avistamentos
A Chapada dos Guimarães aparece como outro destino de destaque. Localizada a pouco mais de 60 quilômetros de Cuiabá, a região é conhecida por seus paredões monumentais, cachoeiras, cavernas, trilhas e paisagens consideradas entre as mais impressionantes do país.
Segundo o artigo, moradores e visitantes relatam há décadas a presença de esferas luminosas, objetos silenciosos e luzes que realizariam movimentos considerados incomuns.

A reportagem pondera que muitos desses registros podem possuir explicações astronômicas, meteorológicas ou relacionadas à atividade humana.
Mesmo assim, a baixa poluição luminosa em determinadas áreas e os horizontes amplos tornam a região um local procurado para observação do céu.
🛸👽 Mistério que pode movimentar o turismo
Além de contar histórias, a reportagem de Ataide Ferreira também apresenta uma possibilidade econômica para Mato Grosso. O artigo defende que o ufoturismo pode ser explorado de maneira responsável, associado à valorização do patrimônio histórico, arqueológico, ambiental e cultural.
“Roteiros temáticos, centros de interpretação, museus, observatórios, eventos culturais, festivais e circuitos de turismo de experiência poderiam fortalecer ainda mais a economia local, aumentando o tempo de permanência dos visitantes e diversificando as atividades turísticas disponíveis”, cita.
A ideia central não seria apenas transformar histórias de OVNIs em atrações, mas utilizar o interesse pelo desconhecido como porta de entrada para que turistas conheçam a história, a cultura e as paisagens de Mato Grosso.
Nesse sentido, o mistério funcionaria como um convite.
Fonte: Primeira Página
