Segundo encontro da Oficina de Chibe: Reavivando a Língua Calon reúne cerca de 50 participantes e aposta na transmissão de conhecimentos entre gerações para fortalecer a identidade do povo cigano
Da Redação
A comunidade cigana de Tangará da Serra realizou neste sábado (17) a segunda edição da Oficina de Chibe: Reavivando a Língua Calon, iniciativa voltada à preservação do idioma tradicional do povo cigano da etnia Calon. O encontro ocorreu na Chácara WR, com a participação de cerca de 50 pessoas, entre crianças, adolescentes e adultos da própria comunidade.
Proposta pelo multiartista e produtor cultural Aluízio de Azevedo, a oficina conta com a parceria da Associação Estadual das Etnias Ciganas de Mato Grosso (AEEC-MT) e apoio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT).
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A participação foi restrita a pessoas ciganas, em respeito às diretrizes das lideranças locais, que não autorizam o ensino da língua a não ciganos. Tangará da Serra reúne a terceira maior comunidade cigana de Mato Grosso.
Oficina usa jogos e materiais didáticos para ensinar o idioma
A programação foi organizada em formato de gincana, com atividades voltadas a participantes de diferentes idades. O projeto também conta com materiais didáticos desenvolvidos por uma equipe de consultoria pedagógica formada por mestres do idioma.
Entre os recursos utilizados está o Caderno de Atividades em Chibe, que reúne exercícios de fixação, caça-palavras, atividades para completar e relacionar frases, além de conteúdos sobre numerais e gênero.
“A oficina foi estruturada em formato de gincana. A programação está muito leve e divertida, pensada com carinho para um público com idades entre cinco e 80 anos”, explica Aluízio de Azevedo.
A presidente da AEEC-MT, Taize Aracelli Alves Caiado, destaca que o idioma representa um patrimônio cultural importante para o povo Calon e defende seu reconhecimento nos inventários de línguas brasileiras.
“Esta é a segunda edição do projeto em Tangará da Serra, e queremos levar a iniciativa a outros municípios do Estado, principalmente Cuiabá e Rondonópolis, que reúnem grandes comunidades e também precisam fortalecer essa tradição”, afirma.
A programação incluiu ainda uma apresentação do grupo de dança Calins do Cerrado e a exibição do documentário Oficina de Chibe, que registra a primeira edição do projeto, realizada em 2024.
Transmissão entre gerações é desafio para a comunidade
Como o Chibe é transmitido tradicionalmente pela oralidade, a continuidade do idioma depende do compartilhamento de conhecimentos entre os integrantes da comunidade. Para Aldi Rodrigues, produtora e mediadora do evento, preservar a língua significa manter viva a memória coletiva do povo cigano.
“O Chibe carrega a expressão genuína do sentimento do nosso povo. É a perpetuação da nossa história de sobrevivência, cumplicidade e conexão com os antepassados. Para existir, é preciso proteger e perpetuar”, afirma.
A produtora local Simone Carla Rodrigues também ressalta que a oficina surgiu da necessidade de ampliar o domínio da língua entre crianças, jovens e adultos.
“Este segundo encontro acontece justamente porque nossos filhos, sobrinhos e até nós, adultos, ainda não temos o domínio completo do Chibe. Entendemos algumas expressões, mas falamos poucas palavras. Como a língua vem de uma tradição oral, esses encontros nos permitem reviver memórias e fortalecer nossa identidade”, destaca.
A proposta é estimular o interesse das novas gerações pelo idioma e criar oportunidades para que os conhecimentos dos mestres da cultura sejam compartilhados dentro da própria comunidade, contribuindo para a continuidade de uma tradição ligada à história e à identidade Calon.
