A hostilidade que se manifestou naquele dia tinha como alvo não apenas a figura do presidente da república e os demais poderes, buscava solapar os pilares fundamentais da democracia
No fatídico dia 8 de janeiro de 2023, testemunhamos uma tentativa de golpe que não pode ser ignorada. O que transcorreu nesta data foi mais do que um ato isolado: foi a exposição brutal do ódio e desrespeito cultivado ao longo dos anos por um campo político por um campo político contra as instituições democráticas brasileiras e pelo nosso patrimônio artístico-cultural comum.
A hostilidade que se manifestou naquele dia tinha como alvo não apenas a figura do presidente da república e os demais poderes, buscava solapar os pilares fundamentais da democracia. O intento de destruir o aeroporto de Brasília na noite de Natal havia sido um sinistro prenúncio das ameaças que pairavam sobre nossa nação e que se confirmariam dias depois.
O governo democrático do presidente Lula representa a diversidade do povo brasileiro. É uma visão inclusiva, plural e que considera a história do povo negro, dos povos originários,onde todas as regiões são reconhecidas como parte integrante da construção de um projeto de nação. Assim, nosso presidente tem capitaneado políticas de reparação e justiça social, que valorizam e celebram nossa ancestralidade, saberes e tecnologias negras e indígenas; que buscam corrigir as desigualdades e discriminações originárias de nosso passado escravagista, em busca de um sociedade mais justa, diversa.
O pensamento aberto e fraterno irrita uma parte retrógrada da sociedade, levando a discursos de ódio, perseguições públicas e a disseminação irresponsável de fake news.
O tratamento desrespeitoso aos jornalistas, os xingamentos nos colóquios parlamentares, a perseguição à classe artística e a instalação do chamado “gabinete do ódio” dentro do palácio presidencial são sintomas de uma polarização que já resultou em mortes por motivação políticos.
No dia 8 de janeiro, uma massa bestial, alimentada pela ignorância, destruiu símbolos de nossa nação, de nossa história e nossas lutas. Queriam a volta da Ditadura, da tortura, da repressão e da censura. Este grupo desejava impor ideias limitantes da liberdade pela força, perpetuando uma mentalidade de supremacia e imposição de dogmas.
A destruição do patrimônio público, filmada e publicada sem remorso, foi vista por milhões de brasileiros. Ao longo de poucas horas, o prejuízo ao patrimônio histórico cultural brasileiro foi incalculável. Peças como o relógio de Balthazar Martinot, presente recebido por Dom João VI e fabricado pelo relojoeiro a pedido do rei francês Luis XIV no século XVII, o quadro “As Mulatas”, de Emiliano Di Cavalcanti, e a tapeçaria de Burle Marx são apenas algumas das peças ilustrativas danificadas.
É imperativo que a sociedade brasileira encare o dia 8 de janeiro como um ponto de reflexão crucial. A democracia deve ser defendida todos os dias. A memória é um dos dispositivos mais importantes para sua preservação da democracia, bem como das liberdades e dos direitos.
Para isso, o governo federal, por meio do Ministério da Cultura, trabalha na criação do Museu da Democracia. Uma instituição destinada a refletir a histórica construção da nossa democracia, com seus percalços e realizações. Localizado junto da esplanada dos ministérios, o museu será um ponto de unidade do país em defesa dos valores da liberdade e igualdade política, para que jamais o autoritarismo prevaleça em nosso país.
O processo de construção do museu já se iniciou. Neste dia 08 de janeiro de 2024 o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) lança o repositório do Museu da Democracia, ambiente virtual para sistematizar e dar visibilidade às coleções da sociedade civil já existentes sobre a democracia brasileira e congregar novos conteúdos sobre o tema.
O Brasil, com sua história de lutas, derrotas e conquistas, merece ser contado de maneira completa. Estabelecer um Museu da Democracia é fundamental para confrontarmos nossos erros e promover uma compreensão mais profunda de nossa própria história.
A nossa memória, nossa cultura e nossa diversidade são elementos essenciais da nossa democracia e da nossa identidade brasileira. Defender nossa democracia significa defender nosso povo, em toda sua diversa riqueza.
Artigo da ministra da Cultura, Margareth Menezes, originalmente publicado no UOL.
Fonte: MinC
