Os documentários Histórias das HQs no Ceará e A Guerra dos Gibis trazem um
panorama da produção de quadrinhos no Brasil em diferentes momentos. Já o curta-
metragem Arruma um pessoal pra gente botar uma macumba num disco mergulha
na trajetória de Getúlio Marinho, um dos maiores sambistas brasileiros, que gravou
os primeiros cânticos religiosos afro-brasileiros em discos na indústria musical
do país. O filme Abraço, por sua vez, é uma ficção inspirada em uma das
maiores greves em prol da educação no Nordeste brasileiro.
A Itaú Cultural Play traz novidades em seu catálogo a partir de 30 de janeiro (terça- feira), com obras produzidas em São Paulo, Ceará, Rio de Janeiro e Sergipe. No dia em que é comemorado o Dia do Quadrinho Nacional, disponibiliza Histórias das HQs no Ceará, de Roberto Santos, e A guerra dos gibis, de Thiago B. Mendonça e Rafael Terpins. Em outra efeméride, Arruma um pessoal pra gente botar uma macumba num disco, de Chico Serra, dá luz aos 60 anos sem o compositor Getúlio Marinho. Além disso, também chega à plataforma o longa-metragem Abraço, de DF Fiuza, para completar a programação e trazer ao público a diversidade do cinema brasileiro.
Os filmes podem ser acessados gratuitamente em www.itauculturalplay.com.br e dispositivos móveis Android e IOS.
HQs
Em 30 de janeiro de 1869, o cartunista, ilustrador e desenhista Angelo Agostini publicava As Aventuras de Nhô-Quim, a primeira história em quadrinhos do país. A partir disso, a data foi escolhida para ser o Dia do Quadrinho Nacional, para lembrar a importância dessa arte, que conta histórias narradas compostas por imagens e textos, com linguagem simples e com tom de humor.
O documentário Histórias das HQs no Ceará, de Roberto Santos, faz uma viagem pelo universo das histórias em quadrinhos frutos dessa primeira iniciativa no país, contextualizando a produção das HQs cearenses dentro do cenário brasileiro desta que é considerada como a nona arte. O filme foi finalista do Troféu HQ Mix em 2017, principal prêmio brasileiro no segmento, considerado o Oscar dos quadrinhos no país.
Já em A guerra dos gibis, de Thiago B. Mendonça e Rafael Terpins, o público faz uma viagem ao Brasil dos anos 1960, época em que o país vivia sob as limitações da censura, mas tinha uma grande produção de quadrinhos, com destaque aos de terror, eróticos e de crimes. Quadrinistas, editores e personagens como Satã, Chico de Ogum e Maria Erótica, retratam os bastidores desse momento histórico.
O filme é baseado em uma extensa pesquisa do jornalista Gonçalo Júnior, com foco no mercado de HQs no país. A obra é vencedora de prêmios no exterior e no Brasil, como o de Melhor Documentário no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, o de Melhor Curta Documentário no Festival de Brasília e o de Direção de Arte no Cine PE.
60 anos sem Getúlio Marinho
No mesmo dia, a Itaú Cultural Play lança em seu catálogo o documentário de curta- metragem Arruma um pessoal pra gente botar uma macumba num disco, produzido em 2023, teve apoio do Itaú Cultural e presta homenagem à vida e obra de um dos sambistas mais importantes do país, o baiano Getúlio Marinho (1889-1964). O filme é inédito em plataformas de streaming e passou por festivais como o 15º In-Edit – Festival Internacional do Documentário Musical, 18ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto.
Cantor, compositor e percussionista, Marinho, que também era conhecido por “Amor”, foi responsável, ao lado de Elói Antero Dias, pelas primeiras gravações de cânticos rituais afro-brasileiros em discos, no início da década de 1930. A repercussão do seu trabalho começou com dois discos: Ponto de Ogum e Ponto de Inhansan, ambos lançados em setembro daquele ano, pela Odeon, marcado pelo início da indústria fonográfica no país.
O filme, dirigido por Chico Serra, resgata a trajetória de Getúlio Marinho, assim como contextualiza, a partir de imagens raras, gravações antigas e depoimentos de pesquisadores e descendentes, a influência das religiões afro-brasileiras na cultura popular brasileira, a partir da década de 1920. Dá luz à determinação de Getúlio em propor que cânticos desta natureza fossem gravados, enfrenando racismo e intolerância.
Luta por educação
Outra novidade que fica disponível ao público na plataforma é o longa-metragem sergipano Abraço. O drama é inspirado em fatos reais e narra a organização de professores do estado contra o governo estadual, em uma greve histórica no ano de 2008, em defesa dos direitos trabalhistas, da educação pública de qualidade e de uma sociedade mais justa.
O filme contrapõe a este momento sociopolítico a história da professora e líder sindical Ana Rosa, que precisa lidar com desafios como o de ser mulher e mãe em uma sociedade machista, conservadora e individualista. Cerca de 500 professores que viveram a greve participaram como figurantes de Abraço, para trazer uma atmosfera ainda mais realista.
Neste que é o primeiro longa-metragem do diretor de DF Fiuza, destacam-se a performance do ator Flávio Bauraqui, e a trilha original de André Abujamra e Eron Guanieri, além da participação do cantor e compositor Chico Cesar. Abraço foi eleito como melhor filme pelo júri popular no CinePE, em 2019.
Da Assessoria
