Jovens de Cuiabá trocam celular por crochê e pintura para aliviar ansiedade longe das telas

Crochê e arte surgem como refúgio para jovens que buscam equilíbrio em meio à rotina digital e ao consumo constante de conteúdos nas redes sociais.

Entre o excesso de telas e a correria do dia a dia, atividades manuais como crochê e pintura vêm ganhando espaço entre jovens que buscam desacelerar. Mais do que passatempo, a prática ajuda a aliviar a ansiedade, estimula a criatividade e vira uma forma de se desconectar das redes e reconectar consigo mesmo. Para a estudante Yasmin Carolina de Campos Garcia, foi entre linhas e agulhas que surgiu uma nova forma de se desconectar e também de se reconectar consigo mesma.

Acesse o grupo do WhatsApp do Mutirum e fique por dentro das notícias culturais!   

O crochê começou como um passatempo herdado da avó, que já tinha os materiais em casa. A curiosidade virou hábito. “A minha avó sempre fez muitos artesanatos e já tinha todos os materiais na casa dela, então eu peguei tudo que tinha lá e comecei”, conta. Hoje, Yasmin passa horas concentrada na repetição dos pontos. “Fico várias horas fazendo porque é muito fácil, é um trabalho bem repetitivo. Quando você vê, já está pronto”, relata.

Mesmo com a tecnologia presente no dia a dia, ela também se torna aliada. Yasmin utiliza o computador para buscar gráficos e referências que servem de base para novas criações. Ainda assim, é longe das notificações que ela encontra um momento de pausa. “Antes eu ficava muito tempo no celular. Hoje ainda acontece, mas, quando eu pego o crochê, eu esqueço totalmente. Passo horas e, às vezes, até esqueço de responder meus amigos”, diz.

A mesma busca por expressão e equilíbrio aparece na rotina de Luana Oliveira Sá dos Reis. Desde pequena, ela encontrou na arte uma forma de se comunicar com o mundo. “Para mim, sempre foi um meio de expressão, uma forma de me colocar no mundo. Como entrou na minha vida muito cedo, fez parte do meu desenvolvimento”, explica.

Luana vê a arte como uma forma de se desligar do mundo. -Foto: TVCA
Luana vê a arte como uma forma de se desligar do mundo. -Foto: TVCA

Entre recortes, cores e texturas, Luana constrói trabalhos que refletem sua identidade. “Eu me acho uma pessoa bem colorida, e a arte tem esse papel na minha vida”, afirma.

Para ela, o processo criativo vai além do resultado final. “É uma paz muito grande. Parece que estou com uma grande amiga. Eu consigo desligar do externo e focar naquilo”, descreve.

Especialistas apontam que esse movimento não é por acaso. De acordo com a psicóloga Iasmin Garcia Esteves de Freitas, o uso excessivo de telas e redes sociais pode gerar um ciclo contínuo de estímulos rápidos, ligado à liberação de dopamina no cérebro. “A gente vive um ciclo vicioso de dopamina. Quando não está produzindo, está consumindo conteúdo”, explica.

A psicóloga Iasmin afirma que o cérebro precisa se desligar da tecnologia.-Foto: TVCA
A psicóloga Iasmin afirma que o cérebro precisa se desligar da tecnologia.-Foto: TVCA

Segundo ela, esse comportamento dificulta o descanso. “Chega um feriado e a gente acha que está descansando, mas está só se entupindo de conteúdo. É algo superficial”, avalia.

E é nesse cenário que as atividades manuais surgem como uma alternativa saudável. “É nesse espaço que a gente consegue pensar, expandir o repertório, desenvolver criatividade e novas habilidades. Tudo que a gente aprende na arte não se restringe a ela. A criatividade é necessária em qualquer trabalho”, afirma

A orientação, segundo a especialista, é experimentar. “Dá uma chance, testa várias coisas, vê o que você sente. Criar é abrir espaço para o novo”, conclui.

Fonte: Primeira Página

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Precisa de ajuda?