Encontro será realizado nesta segunda (11), no Centro Norte, e dá continuidade ao processo de articulação iniciado em fevereiro para discutir ocupação cultural, preservação histórica e uso dos espaços públicos da região.
Da Redação, por Ana Luiza Queiroz
Moradores, trabalhadores da cultura, comerciantes e frequentadores do Centro Histórico de Cuiabá realizam nesta segunda (11), às 19h, a terceira reunião do Fórum Popular do Largo da Mandioca.
O encontro acontece na Organização Religiosa Cultural de Culto Afro-brasileiro Nzo Ia Nvanju, na Rua Pedro Celestino, 391, no bairro Centro Norte, e dá sequência à mobilização coletiva criada para discutir a preservação histórico-cultural da região e a organização do uso dos espaços públicos do Largo da Mandioca.
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O Fórum Popular do Largo da Mandioca surgiu a partir de encontros organizados por coletivos culturais, artistas, comerciantes e moradores do Centro Histórico de Cuiabá preocupados com o futuro da região, reconhecida como um dos principais territórios de expressão cultural, social e econômica da capital mato-grossense.
A articulação ganhou forma oficial durante reunião realizada em 23 de fevereiro de 2026, quando foi criada a instância permanente denominada Fórum de Preservação Histórico-Cultural do Centro Histórico de Cuiabá – Largo da Mandioca.
A proposta apresentada no encontro definiu o fórum como um espaço autônomo, democrático, plural e não partidário, voltado ao debate e à deliberação sobre preservação, ocupação e prioridades para os espaços públicos da região central. Entre os principais objetivos definidos nas primeiras reuniões estão a defesa da preservação histórica e simbólica do Centro Histórico, o fortalecimento do diálogo entre trabalhadores da cultura e moradores, além da construção de uma agenda de regulamentação para atividades e convivências no Largo da Mandioca.
O documento de fundação também estabelece que as decisões do fórum devem ser tomadas prioritariamente por consenso, com participação aberta a coletivos culturais, artistas, comerciantes e moradores que atuam ou residem na região central de Cuiabá.
Antonieta Luísa Costa, coordenadora do Fórum Popular e fundadora e presidente da Casa das Pretas e do IMUNE, enfatiza que o fórum nasce de um processo de construção coletiva em torno da Praça da Mandioca, envolvendo as ruas Pedro Celestino, Governador Rondon, Ricardo Franco, entre outras, a partir de uma perspectiva sociocultural. “Precisamos olhar dessa forma porque nós temos aqui um espaço histórico, mas que historicamente também vem sofrendo processos de abandono. E dizer: olha, gente, como nós estamos aqui, nós precisamos transformar esse espaço, transformar coletivamente”, conta.
O objetivo da reunião é levantar as dificuldades enfrentadas pelos moradores, agentes culturais e comerciantes do Largo da Mandioca, além de reunir perspectivas sobre memória e melhorias para, posteriormente, apresentar ao poder público as demandas e propostas construídas pelos participantes do fórum. “Temos a perspectiva de criar um espaço de diálogo entre as pessoas que estão trabalhando, morando e vivendo aqui no Largo da Mandioca, levantar todas as situações que estão sendo problemáticas, que estão gerando dificuldades e conflitos, para melhorar e para a gente não perder a praça”, explica.
Com a revitalização da Praça da Mandioca e de seu entorno, Antonieta vislumbra um espaço de fortalecimento da cultura e das artes. “A gente pensa que daqui a um tempo nós vamos estar com um espaço muito bem organizado, um diálogo efetivo com o poder público, que é encarregado das vias e das praças, para que a gente possa realmente fomentar uma cultura, a cultura que está chegando, a cultura que movimenta. E aqui a gente tem muita coisa boa. Tem artes plásticas, tem música, tem muita coisa que precisa ser fomentada.”
Segundo Antonieta, a participação coletiva é essencial para mapear os problemas e viabilizar melhorias junto ao poder público. “Não dá para ampliar o que está errado, não dá para ampliar o que não está bom. Então, a gente precisa melhorar e aí, sim, constrói uma sociedade justa, igualitária, livre de preconceito e com muito mais cultura e educação”, finaliza.

