Aulas ocorrem no Centro de Cultura Popular Povo Unido, Povo Forte, no bairro Parque Geórgia
Da Redação, por Ana Luiza Zambonatto
O Centro de Cultura Popular “Povo Unido, Povo Forte”, localizado no bairro Parque Geórgia, recebe todos os sábados, a partir das 15h30, aulas gratuitas de capoeira angola, ministradas pelo professor Éverton Medeiros. Elas fazem parte do projeto “Vem Brincar Mais Eu”, que oferta aulas gratuitas para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.
Éverton começou na capoeira aos 11 anos de idade, e é professor desde 2010. Além de dar aulas, ele também atende um projeto de extensão da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), e em 2008 já fazia um trabalho com crianças e adultos. Para ele, a proposta do projeto é incentivar o esporte e as manifestações de cultura popular.

“A proposta é despertar, tanto nas crianças quanto nos adultos, o interesse pela capoeira e, a partir dela, incentivar o contato com outras manifestações da cultura popular, como o samba, o bumba meu boi, o cururu e o siriri. O objetivo do projeto é justamente aproximar as pessoas da sua cultura e fortalecer esse vínculo”, conta Éverton.
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Ele ainda destaca que por estar diretamente ligada à história e à resistência da população negra no Brasil, a capoeira desempenha um papel importante na formação cidadã, incentivando a empatia, a valorização da diversidade e o respeito às diferenças.
“Além disso, a capoeira é uma importante ferramenta de combate ao racismo e à intolerância. Por sua história e por seu caráter inclusivo, ela promove o diálogo entre diferentes culturas e religiões, contribuindo para o respeito à diversidade e para o enfrentamento da intolerância religiosa”, explica.
A prática da capoeira contribui para o desenvolvimento corporal, proporcionando maior domínio do próprio corpo, mas vai muito além disso. Ela também permite que as pessoas conheçam e valorizem sua cultura, fortaleçam sua identidade e desenvolvam um sentimento de pertencimento.
Éverton Medeiros

Foto: Ana Luiza Zambonatto
O professor ainda destaca que a prática da capoeira não fortalece apenas o corpo, mas também a mente, e que as crianças e adolescentes participantes encontram nesse espaço um ambiente de persistência e socialização.
“O esporte e a cultura proporcionam esse aprendizado, incentivando a persistência, a disciplina e a vontade de continuar evoluindo. A capoeira também é um espaço de socialização, algo fundamental. É um lugar onde as pessoas compartilham histórias, convivem e aprendem umas com as outras. Essas são práticas ancestrais que precisam ser preservadas, porque, quando estamos juntos, somos mais fortes e conseguimos dialogar melhor”, conta.
Para Éverton, a expectativa para os seis meses de aula é positiva. Ele enxerga a capoeira e o incentivo a cultura como uma forma de terapia.
“A música aproxima as pessoas. Ela desperta o interesse, incentiva a participação e faz com que todos se divirtam. As manifestações que desenvolvemos são marcadas pela alegria e pela musicalidade, e a música está presente o tempo todo. A música tem esse poder, e a capoeira reúne esses elementos ao trabalhar, ao mesmo tempo, o corpo, a mente e a expressão cultural. Por isso, ela também acaba funcionando como uma forma de terapia”, finaliza.

O Centro de Cultura onde são realizadas as aulas funciona em um modelo de autogestão, sem uma estrutura hierárquica. A coordenação é compartilhada entre os participantes, que desenvolvem projetos próprios e também abrem espaço para iniciativas externas, como o projeto de capoeira realizado em parceria com a UFMT.
Segundo Isabela Mackert, integrante da coordenação do Centro de Cultura, a programação das atividades é planejada, mas precisa ser flexível para acompanhar a dinâmica do espaço e a participação das crianças.
“O objetivo do Centro de Cultura é ser um lugar que possibilite às crianças experiências que elas muitas vezes não encontram em outros espaços. A gente procura oferecer atividades diferentes para que elas descubram novos interesses e tenham oportunidades de aprendizado e convivência”, afirma.
Além da capoeira, o local já recebeu oficinas de origami, gravura, atividades artísticas e projetos de extensão universitária voltados à educação ambiental e à divulgação científica. Isabela destaca que o trabalho desenvolvido vai além da oferta de atividades. Para ela, o contato com as crianças e suas famílias também representa uma importante troca de conhecimentos.
“Muitas vezes existe a ideia de que a universidade vem ensinar alguma coisa para a comunidade, mas, na prática, a gente aprende muito com eles. As crianças e as famílias compartilham histórias, mostram a realidade do bairro e ajudam a gente a entender quais são as necessidades e os interesses da comunidade”, ressalta.

Segundo ela, esse diálogo fortalece o vínculo entre o Centro de Cultura e os moradores, permitindo que as atividades sejam construídas de forma coletiva.
“A gente cria uma relação de confiança com as famílias. As crianças encontram aqui um espaço de pertencimento e continuam vindo, mesmo quando, por questões burocráticas ou estruturais, as atividades ainda não foram retomadas oficialmente”, diz.
Neste ano, o Centro de Cultura enfrentou dificuldades para reabrir a programação em razão de problemas burocráticos e dos impactos causados pelas chuvas, que provocaram alagamentos no prédio e atingiram a biblioteca.

Apesar disso, Isabela afirma que o vínculo construído ao longo dos anos permanece.
“O Centro existe desde 2002 e hoje já recebe filhos de pessoas que frequentavam as atividades quando eram crianças. Isso mostra que o espaço se tornou uma referência para a comunidade e faz parte da história dessas famílias”, conclui.
O projeto é realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Secel-MT) e do Governo de Mato Grosso. A iniciativa integra as ações de fortalecimento das políticas públicas voltadas ao fomento da cultura, garantindo apoio a projetos que ampliam o acesso da população às atividades culturais, valorizam artistas e coletivos locais e incentivam a produção cultural em diferentes regiões do estado.
