Mostra reúne pinturas produzidas em oficinas do sistema prisional e socioeducativo de Mato Grosso; visitação é gratuita e segue até 30 de outubro
Da Redação
O Cine Teatro Cuiabá recebe, até 30 de outubro, uma exposição de pinturas produzidas por adolescentes do Centro de Atendimento Socioeducativo Feminino de Cuiabá (Case) e por pessoas privadas de liberdade da Cadeia Pública de Nortelândia. A mostra reúne trabalhos desenvolvidos em oficinas artísticas e integra o Projeto de Pintura em Tela da Fundação Nova Chance (Funac), vinculada à Secretaria de Estado de Justiça (Sejus).
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Aberta ao público durante o horário de funcionamento do espaço cultural, a exposição permite conhecer e adquirir as obras. A iniciativa busca valorizar o potencial artístico dos participantes e ampliar a visibilidade das ações de socioeducação e ressocialização realizadas em Mato Grosso.
Segundo o presidente da Funac, Winkler de Freitas Teles, o projeto está na segunda edição e surgiu a partir de uma solicitação do secretário de Estado de Justiça, Valter Furtato. Além do desenvolvimento artístico, a proposta também tem caráter educativo.
“Além do trabalho de arte em telas, traz também a questão educativa. É importante para o autoconhecimento, para a ressocialização e diminui a vulnerabilidade social”, afirmou.
Arte como ferramenta de ressocialização
Para o diretor artístico do Cena Onze e do Cine Teatro Cuiabá, Flavio Ferreira, a exposição aproxima a sociedade das iniciativas desenvolvidas no sistema penitenciário e contribui para ampliar o olhar sobre as pessoas privadas de liberdade.
“Para nós é muito importante essa exposição. Nós procuramos o sistema, conhecemos tudo o que é feito de positivo no sistema penitenciário de Mato Grosso. A quantidade de pessoas que visitam o nosso espaço é muito grande, e é importante que tenham acesso a esse novo olhar. Acesso à sensibilidade de uma ressocialização. Infelizmente, há um preconceito muito grande aí fora com as pessoas privadas de liberdade. Mas são pessoas que têm os seus direitos e a arte é uma das únicas ferramentas de educação que existem”, declarou.
A diretora do Case Feminino de Cuiabá, Margareth Alfaro, também ressaltou a importância de manter as oficinas para a formação das adolescentes. Segundo ela, o objetivo da socioeducação é contribuir para que as jovens construam novas perspectivas e tenham oportunidades após deixarem a unidade.
A instrutora da oficina de Pintura em Tela, Amanda Torres, acompanha a segunda turma do projeto no sistema socioeducativo. Egressa do sistema prisional, ela compartilha com as participantes técnicas e conhecimentos desenvolvidos ao longo de oito anos de experiência na área artística.
Para Amanda, a possibilidade de ensinar outras pessoas representa uma forma de multiplicar o aprendizado e mostrar novos caminhos por meio da arte.
“Foram oito anos de carreira e, durante esse tempo, desenvolvi várias técnicas e, com isso, passei a ensinar outras que iam chegando. Começou esse projeto de instrutora. Até que surgiu esse projeto no socioeducativo, no qual estou encerrando a segunda turma, e o resultado está aí, de todo o trabalho. Acredito que a ressocialização, a arte e a pintura podem dar muitas oportunidades. A ideia é essa: multiplicar”, destacou.
Exposição amplia visibilidade das participantes
A juíza Leilamar Rodrigues, coordenadora do eixo Socioeducativo do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF), enfatizou o papel das atividades artísticas no desenvolvimento emocional das adolescentes e na construção de novas perspectivas de vida.
Elas fizeram um trabalho maravilhoso e estão se apresentando para a sociedade, onde mostram como é importante que a gente invista nessas atividades que trabalham com o emocional delas e com o seu dia a dia. Vale ressaltar a importância do trabalho com a ressocialização delas, é uma forma de terem uma perspectiva de quando saírem da unidade. Elas podem se descobrir como artistas plásticas”, finaliza.
