Apresentações acontecem nos dias 8 e 9 de abril, no Cine Teatro Cuiabá
Da Redação, por Ana Luiza Queiroz
Cuiabá recebe, nos dias 8 e 9 de abril, o Concerto Tricentenário, espetáculo musical que integra as comemorações pelos 307 anos da capital mato-grossense. Com entrada gratuita, as apresentações serão realizadas às 20h, no Cine Teatro Cuiabá, reunindo repertório instrumental que percorre diferentes momentos da formação histórica e cultural da cidade.
A proposta do concerto é construir uma narrativa musical sobre Cuiabá, a partir de influências regionais e latino-americanas, além de elementos da tradição local. O espetáculo é dividido em dois blocos, sendo o segundo dedicado à obra inédita “Concerto Tricentenário Câmara”, com composição e arranjos de Jether Garotti.
De acordo com o curador musical do conserto, Antônio Ernani Calhão, a concepção do concerto parte do resgate de canções e referências que marcaram a história cuiabana. “A ideia da curadoria é compor essa cantoria que relembra a cidade, sua história e seu legado, resgatando uma identidade legítima, mais próxima da sua origem”, afirma.
A obra inédita é estruturada em três movimentos que representam diferentes dimensões da formação de Cuiabá. O primeiro, de caráter épico, revisita o processo de fundação da cidade, com referências às populações indígenas e ao ciclo do ouro. O segundo movimento traz uma abordagem religiosa, destacando o papel das igrejas e das tradições católicas na construção cultural local. Já o terceiro movimento enfatiza o aspecto profano e festivo, com ritmos populares como o rasqueado.
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“O espetáculo foi concebido nesses três momentos: o épico, que relembra a fundação; o religioso, que mostra a influência da fé e dos santos padroeiros; e o profano, que celebra os cantos e as festas. É uma forma de contar Cuiabá por meio da música”, explica o curador.
Além da obra inédita, o concerto também apresenta, em sua primeira parte, um repertório que evidencia a influência da Bacia do Prata na música cuiabana. Segundo Calhão, essa conexão histórica ajudou a moldar ritmos tradicionais da região. “A Bacia do Prata foi o caminho para chegar a Cuiabá, e isso se reflete diretamente na música. O rasqueado, por exemplo, dialoga muito com as canções paraguaias. Esse repertório ajuda a mostrar essas influências”, destaca.
A apresentação será realizada em formato de música de câmara, reunindo piano, violino, contrabaixo e bateria. Para o curador, o espetáculo também busca aproximar diferentes linguagens musicais e ampliar o acesso do público à música instrumental. “Existe um equívoco de que a música erudita não dialoga com o popular, mas ela dialoga sim. O concerto traz essa linguagem erudita conectada às raízes culturais cuiabanas. A música erudita não é um gênero musical, mas um estilo de se fazer música”, afirma.
Outro destaque do evento é a proposta de acessibilidade e inclusão. As apresentações contarão com intérprete de Libras e material em braile, seguindo diretrizes de políticas públicas culturais. O projeto é financiado por meio de edital da Política Nacional Aldir Blanc, com apoio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel).

Para Calhão, ampliar o acesso à cultura é um aspecto fundamental das políticas atuais. “No passado, o teatro era um espaço restrito à elite. Hoje, ele está aberto ao público. A cultura precisa ser acessível a todos, inclusive às pessoas em situação de vulnerabilidade”, pontua.
O concerto também aposta na experiência sensorial do público, com momentos cênicos que dialogam com tradições locais. Um dos destaques ocorre durante o movimento sacro, quando bandeiras dos santos percorrem a plateia ao som de tambores, em referência às celebrações religiosas tradicionais.
“O espetáculo é muito emocionante do início ao fim. Ele relembra momentos importantes da história de Cuiabá e toca no sentimento das pessoas. E, no final, com o rasqueado, a música cresce, ganha força e leva essa energia para o público”, completa o curador.
Os ingressos podem ser retirados gratuitamente pela internet ou na bilheteria do teatro.
