Cuiabanos retomam tradição de pintar as ruas para torcer pelo Brasil na Copa

A contagem regressiva para a estreia da Seleção Brasileira na Copa do Mundo já começou. O primeiro compromisso do Brasil na competição será no próximo sábado (13), e, em Cuiabá, moradores já entraram no clima do torneio ao resgatar uma tradição que marcou gerações: a pintura das ruas em verde e amarelo.

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Em diferentes bairros da capital mato-grossense, bandeiras, desenhos e símbolos ligados ao futebol passaram a colorir o asfalto, reunindo crianças, pais e vizinhos em uma mobilização que vai além da torcida pela Seleção. A iniciativa também resgata memórias afetivas e fortalece os laços de comunidade.

No bairro Jardim Presidente II, região do Residencial Coxipó, a movimentação começou em frente à casa do ex-jogador profissional Victor Hugo. O que seria apenas uma pintura na calçada acabou se transformando em uma intervenção coletiva que tomou praticamente toda a rua.

“A ideia de pintar veio depois da convocação. Vimos que o Neymar foi confirmado, aí fomos comprar as tintas e começamos a pintar. A ideia inicial era pintar só em frente de casa, mas foi passando um e outro, falando que gostou, e fomos aumentando o desenho até pintar a rua quase toda”, conta em entrevista ao Portal Primeira Página.

Para ele, a iniciativa tem um significado especial por proporcionar à filha Alice Sophia uma experiência que não teve na infância.

“Quando eu era criança não tinha oportunidade. Eu morava no Osmar Cabral com a minha avó e a rua era de chão. A gente só colocava bandeirinhas. Aí chamei minha filha para pintar comigo para ela ter essa oportunidade que eu não tive”, relata.

Victor também carrega uma forte ligação com o futebol. Revelado em escolinhas da capital, chegou a atuar profissionalmente por equipes de Mato Grosso e de Minas Gerais antes de interromper a carreira após um acidente de moto.

“Hoje eu jogo só amador, mas a paixão pelo futebol continua. E agora poder viver esse momento da Copa junto com a minha filha é muito especial”, afirma.

Projeto social transforma pintura em atividade comunitária

No CPA IV, a tradição também ganhou espaço graças à mobilização de alunos e professores do Projeto Social de Kung Fu Wushu, realizado em uma academia do bairro.

A coordenadora técnica do projeto, Brenda Silva dos Santos, conta que a ideia surgiu de forma espontânea durante uma conversa com os alunos sobre brincadeiras e costumes que eram comuns durante as Copas do Mundo.

“Lembrei que já tinha feito isso no passado e comentei com as crianças. Falei que hoje em dia a gente quase não vê mais pintura de rua nem bandeirinhas. Então surgiu a ideia de reunir todo mundo para fazer”, explica.

O primeiro plano era simples: pintar apenas uma bandeira em frente à academia. Mas a atividade acabou mobilizando toda a comunidade.

“Foi muito divertido. As crianças participaram, colocaram a mão na massa e se envolveram de verdade. Depois os vizinhos começaram a elogiar e sugeriram que a pintura continuasse pela rua inteira”, lembra.

A repercussão foi tão positiva que um segundo mutirão foi organizado no fim de semana seguinte. Com apoio dos moradores, que ajudaram na compra de materiais, dezenas de crianças participaram da ação.

Segundo Brenda, o objetivo principal vai muito além da decoração para a Copa.

“Gosto muito de trabalhar essa ideia da coletividade, da amizade e do apoio entre eles. Quando a gente faz algo assim, eles aprendem a trabalhar juntos, criam vínculos e constroem memórias que vão levar para a vida toda”, afirma.

Ela destaca ainda que atividades como essa oferecem experiências cada vez mais raras para as novas gerações.

“Hoje muitas crianças nunca tinham pintado uma rua. No começo elas ficam tímidas, mas depois estão todas envolvidas, brincando e se divertindo. É uma oportunidade de fazer algo diferente, criar memórias e fortalecer a convivência com outras pessoas”, diz.

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Diversas crianças atendidas pela iniciativa participaram da ação para ajudar na decoração das ruas. – Foto: Arquivo Pessoal

Tradição que atravessa gerações

Durante décadas, ruas pintadas e enfeitadas fizeram parte do cenário brasileiro em anos de Copa do Mundo. Embora a tradição tenha perdido força nos últimos anos, iniciativas como as registradas em Cuiabá mostram que o costume ainda resiste.

Enquanto o primeiro jogo oficial da seleção, marcado para o dia 13 de junho, não chega, a torcida já está estampada no asfalto o sentimento de quem acredita que a Copa também é uma oportunidade para reunir famílias, amigos e vizinhos em torno de uma paixão comum: o futebol.

Fonte: Primeira Página

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