Entre rezas, festas e plantas medicinais do Cerrado, documentário acompanha o cotidiano de mestra quilombola em seu território
Há cerca de 300 anos, o povo Kalunga habita o Cerrado da Chapada dos Veadeiros, no estado de Goiás, formando o maior território quilombola do Brasil. Um recorte dos saberes tradicionais e modos de vida desse povo, guardados e transmitidos especialmente pelas mulheres, foi registrado no documentário ‘Percília’. O curta-metragem estreia no dia 19 de junho, durante o 27º FICA – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, na Cidade de Goiás.
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Gravado em 2025, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), ‘Percília’ acompanha o cotidiano de Percília dos Santos Rosa, mestra raizeira, artesã, dançarina e puxadora de sussa da comunidade quilombola Vão de Almas, pertencente ao Território Kalunga. O filme é dirigido pela própria Percília e pela cineasta goiana Bia Carvalho.
Entre os saberes sobre as plantas do Cerrado, a convivência com a família, cantos, rezas e celebrações tradicionais, o documentário revela a relação profunda da mestra com a terra, a água e os modos de vida de seu território. Reflete também a importância das mulheres Kalungas na preservação cultural, sustentação e transmissão de conhecimentos entre gerações.
A pré-estreia do filme aconteceu em maio, no 9º RAÍZES – Grande Encontro de Raizeiros, Parteiras, Benzedeiras e Pajés na Chapada dos Veadeiros. Foi na 4ª edição deste mesmo encontro, em 2019, onde Bia Carvalho e Percília se conheceram. Segundo a cineasta, o curta nasceu do desejo de caminhar ao lado da mestra e registrar formas de existência conectadas à coletividade, às raízes e aos saberes medicinais do Cerrado. “Desde o primeiro dia, senti uma grande força na presença de Percília, em sua relação com o território e na maneira como compartilha os conhecimentos herdados de seus ancestrais”, afirma Bia.
Para Percília dos Santos Rosa, ser gravada dentro do quilombo e junto à sua família e comunidade é uma grande conquista a ser celebrada. “Quero ser bem vista e valorizada pelo meu trabalho, pela minha força, pela minha coragem. Essa é uma história que eu quero que fique pro mundo inteiro ver, é pra todo saber que eu sou uma kalungueira do Vão de Almas”, destaca a mestra.
Em 2026, o FICA traz o tema ‘Água e Clima no Brasil das Nascentes’. Dentro da curadoria, ‘Percília’ vai integrar a Mostra Cinema Indígena e Povos Tradicionais, onde serão exibidas produções que ampliam o olhar sobre identidade, território, espiritualidade e preservação cultural. Depois do 27º FICA, o curta também será exibido, como forma de contrapartida, em três comunidades pertencentes ao Território Kalunga: Ribeirão dos Bois, em Teresina de Goiás; na casa da mestra Percília, no Vão de Almas; e no Engenho II, em Cavalcante.
A realização de ‘Percília’ foi contemplada pelo Edital de Audiovisual nº 03/2024, da Secretaria de Estado da Cultura de Goiás, por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), operacionalizada pelo Ministério da Cultura e Governo Federal.
Mais sobre a mestra
Percília dos Santos Rosa é guardiã de saberes tradicionais, artesã e raizeira enraizada na comunidade do Vão de Almas, na Chapada dos Veadeiros (GO). Nascida e criada no Quilombo Kalunga, carrega a força de sua ancestralidade, dominando os mistérios das plantas do Cerrado para o feitio de remédios, xaropes e chás. Diante da perda precoce da mãe, assumiu desde cedo o cuidado dos irmãos mais novos e transformou sua própria casa em um espaço aberto de acolhimento comunitário, onde mantém vivas as memórias, os modos de vida e a oralidade que sustentam a identidade de seu povo.
SERVIÇO
Estreia do documentário ‘Percília’
Quando: 19 de junho de 2026
Onde: 27º FICA – Cidade de Goiás (GO)
Classificação: livre
Entrada: franca
Nas redes: @perciliadossantos e @bia.carvalho_a
Trailler: https://youtu.be/AoO4ef6L4Zw
Da Assessoria
