Bolsas de fibra de bananeira produzidas em Santa Catarina chegam à Semana de Moda de Milão

Peças artesanais foram produzidas em oficinas gratuitas de projeto apoiado pela Lei Rouanet e representaram o Brasil em desfile na Itália

Da Redação

Duas bolsas produzidas com fibra de bananeira em oficinas realizadas em Corupá, em Santa Catarina, foram apresentadas na Semana de Moda de Milão, na Itália. As peças, confeccionadas por integrantes do Coletivo Fibra Flor, participaram do desfile Brazilian Sustainable Fashion in Milan, realizado entre os dias 22 e 24 de setembro.

A participação levou ao circuito internacional um trabalho desenvolvido pelo projeto Museu da Banana: Valorização da Bananicultura Além do Campo, iniciado em abril de 2026. A apresentação das bolsas ocorreu na mesma data do Dia Mundial da Banana, que busca destacar a importância econômica e cultural do cultivo da fruta.

O projeto é realizado pelo Instituto Catarina Brasilis e conta com aprovação do Ministério da Cultura (MinC) por meio da Lei Rouanet, com autorização para captação de R$ 254,2 mil. Os recursos viabilizam pesquisas, oficinas gratuitas e a produção de peças artesanais em Corupá.

A participação no evento internacional ocorreu por meio de uma parceria com a marca catarinense de calçados sustentáveis Pacoa. A empresa foi convidada pela marca de moda praia Celeste, selecionada pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e pela ApexBrasil, por meio do programa Texbrasil, para participar de desfiles e showrooms na Itália.

Da fibra descartada ao artesanato

O projeto busca valorizar a cultura da banana por meio de atividades de artesanato e gastronomia, além de prever um festival com desfile de moda e ações voltadas à integração da comunidade.

Um dos focos da iniciativa é dar novo uso ao pseudocaule da bananeira, parte da planta que tradicionalmente é descartada após o cultivo. Nas oficinas, os participantes aprendem a extrair até cinco tipos de fibras que podem ser utilizadas na produção artesanal.

As atividades são realizadas na sala maker da Escola Estadual Teresa Ramos. Durante as aulas, os participantes têm contato com a história da bananicultura da região, técnicas de manejo da fibra, preservação do patrimônio imaterial e produção de peças como cestos, bolsas e objetos de decoração.

Para a designer de moda e artesã Fabiana Bertoldi, a presença das peças em Milão demonstra o potencial da produção desenvolvida nas oficinas.

“Levar as bolsas criadas nas oficinas de Corupá para um evento internacional em Milão demonstra que a moda circular brasileira tem sofisticação, propósito e lugar garantido no mercado global”, afirmou.

A mestra artesã e professora do curso, Elfi Minatti Mokwa, também destaca a relação entre o reaproveitamento da matéria-prima e a preservação da identidade local.

“Saber que a fibra que um dia foi descarte, hoje carrega a identidade de Corupá e preserva o nosso ‘saber fazer’ é a maior recompensa de uma vida dedicada ao artesanato”, declarou.

Além do aproveitamento de um material que seria descartado, a coleção apresentada em Milão também buscou referências na memória e na paisagem de Corupá.

Segundo Elfi, o design das peças foi inspirado nas orquídeas da região, em uma homenagem ao Orquidário Alvim Seidel, localizado no município e descrito no projeto como o segundo mais antigo do país, com 120 anos de tradição.

A proposta conecta o trabalho artesanal à história da comunidade e à identidade cultural construída em torno da bananicultura.

Museu da Banana preserva memória da região

A participação no evento de moda em Milão também ocorre no ano em que o Museu da Banana completa sete anos de atuação. A instituição foi criada em 21 de agosto de 2019 pelo Instituto Catarina Brasilis com o objetivo de preservar e valorizar o patrimônio histórico relacionado à bananicultura por meio da arte, do cultivo e da gastronomia regional.

O Museu da Banana funciona dentro do conceito de Museologia Social e não possui uma sede física fixa. As ações são realizadas de forma itinerante, com atividades voltadas ao resgate da história oral e à preservação das chamadas memórias vivas da comunidade.

Para a presidente do Instituto Catarina Brasilis, Roseli Siewert, manter as ações do museu contribui para preservar a trajetória de agricultores e artesãos da região.

“Manter o Museu da Banana em movimento é honrar o trabalho de gerações de agricultores e artesãos de Corupá. Nosso trabalho é garantir que a nossa identidade cultural seja valorizada e continue gerando orgulho, inovação e desenvolvimento sustentável para toda a nossa região”, afirmou.

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